A Sony AI desenvolveu o Ace, braço robótico autônomo que alcançou o feito inédito de derrotar jogadores profissionais de tênis de mesa em Tóquio, no Japão. O estudo sobre o robô, publicado na revista Nature, mostra um salto na capacidade de inteligências artificiais (IAs) tomarem decisões rápidas em ambientes físicos, superando a agilidade humana num esporte que exige coordenação e reflexos afiados.
Diferente de sistemas que dominam xadrez ou videogames, o Ace opera na física imprevisível do mundo real. Validado por árbitros da Associação Japonesa de Tênis de Mesa, o robô competiu e superou atletas de elite. Isso sinaliza uma nova era para a robótica aplicada a tarefas que demandam precisão milimétrica e tempo de resposta em milissegundos.
Robô Ace da Sony: visão computacional e braço articulado permitem reflexos afiadíssimos
O segredo da performance reside num sistema de percepção avançado. O robô usa nove câmeras, instaladas ao redor da mesa para triangular a posição da bola em 3D, somadas a três sistemas de “controle de olhar”.
Esses sensores medem a velocidade angular e o efeito (spin) da bola por meio do rastreamento do logotipo impresso nela. Assim, a IA calcula a trajetória exata antes do impacto com a raquete.
A estrutura física do Ace foi projetada para mimetizar a agilidade humana por meio de oito juntas articuladas. O braço usa dois eixos para posicionar a raquete, dois para orientação e três dedicados à potência e agressividade dos golpes.

O nível foi tão elevado que o ex-atleta olímpico Kinjiro Nakamura afirmou que o robô executa movimentos que ele considerava impossíveis para um ser humano.
O treinamento da máquina ocorreu inteiramente via simulações de IA, sem que o sistema precisasse observar movimentos humanos reais para aprender.
De acordo com Christian Dürr, líder do projeto na Sony AI, essa abordagem gera padrões de jogo imprevisíveis, embora o robô ainda possua vulnerabilidades táticas.
A jogadora profissional Rui Takenaka observou que, enquanto o Ace devolve giros complexos com facilidade, ele tem dificuldade em lidar com o “saque de mão” (sem efeito). Isso permite ataques estratégicos para jogadores humanos.
Seja como for, os dados comprovam a evolução rápida da tecnologia: em abril de 2025, o robô vencia três de cinco partidas contra veteranos; já nos testes de dezembro de 2025 e do início de 2026, o Ace derrotou profissionais como Minami Ando e Kakeru Sone.
Segundo a Associated Press, as versões mais recentes da IA jogam de forma significativamente mais agressiva, posicionando-se rente à borda da mesa para acelerar os ralis e sufocar a reação dos adversários.
Para além do esporte, o sucesso do Ace serve como prova de conceito para a automação avançada e logística. A capacidade de processar volumes massivos de dados sensoriais e agir instantaneamente é fundamental para o futuro da medicina robótica e da manufatura de precisão, por exemplo.
O projeto demonstra como o tênis de mesa pode servir de laboratório para testar os limites da engenharia e da IA frente às capacidades humanas.
(Essa matéria também usou informações da Reuters e da Sony.)
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