O ONLYOFFICE lançou oficialmente a versão 9.4 da sua suíte de escritório open source. A atualização adiciona algumas melhorias interessantes para documentos, planilhas, apresentações e formulários, mas o assunto que provavelmente vai chamar mais atenção da comunidade não está exatamente nas novidades da interface.

A nova versão também chega com mudanças na forma como o projeto descreve e reforça sua licença, algo que inevitavelmente acaba sendo associado à recente polêmica envolvendo o Euro-Office, fork europeu que provocou o rompimento da parceria entre o ONLYOFFICE e a Nextcloud.

O caso Euro-Office ainda paira sobre o projeto

Nos últimos meses, o ONLYOFFICE entrou em uma discussão bastante delicada sobre software livre, forks comerciais e uso de marcas registradas.

Tudo começou quando Nextcloud e IONOS anunciaram o Euro-Office, uma bifurcação do ONLYOFFICE criada com a proposta de oferecer uma alternativa alinhada ao conceito de soberania digital almejado pela União Europeia.

A resposta do ONLYOFFICE foi imediata. Os desenvolvedores acusaram o fork de violar termos adicionais ligados à licença AGPLv3 utilizada pelo projeto. Desde então, o clima ficou claramente mais tenso.

Agora, o ONLYOFFICE 9.4 aparece com uma revisão na redação dos seus termos de licenciamento. Oficialmente, o projeto continua sendo open source e segue utilizando AGPLv3, permitindo a modificação e redistribuição do código. Mas a linguagem usada ficou bem mais rígida e específica.

O texto agora reforça de maneira mais explícita questões relacionadas à atribuição de autoria, preservação de avisos de copyright, identificação clara de versões modificadas e, principalmente, ao uso da marca.

Os forks continuam permitidos. O que mudou é que o projeto deixa muito mais claro que versões derivadas não podem reutilizar a identidade visual, logos e branding de maneira ambígua ou que possa sugerir ligação oficial com o produto original.

É uma postura que lembra vários outros projetos open source comerciais modernos. O código continua livre, mas a marca passa a ser tratada quase como um produto separado, protegido de forma muito mais agressiva.

Embora o ONLYOFFICE não diga oficialmente que essas mudanças são uma reação direta ao Euro-Office, é difícil não associar os acontecimentos.

As novidades do ONLYOFFICE 9.4

Fora a discussão sobre licenciamento, a atualização também traz melhorias bem úteis para quem utiliza a suíte no dia a dia.

Uma das mais interessantes é o novo menu avançado de colagem, que agora permite escolher rapidamente se o conteúdo será inserido mantendo a formatação original, como texto puro ou até como imagem.

O editor de planilhas finalmente ganhou um modo escuro de verdade. Antes apenas a interface escurecia, mas agora a própria área das células pode usar fundo escuro, algo que muita gente vinha pedindo há bastante tempo.

Já o editor de apresentações recebeu novos temas prontos e transições adicionais para slides. O sistema de formulários também foi refinado. Assinaturas ficaram mais práticas de reutilizar, e agora existem painéis dedicados para acompanhar o preenchimento e o envio de documentos para assinatura.

Além disso, a atualização corrige várias vulnerabilidades de segurança importantes, incluindo falhas relacionadas à conversão de arquivos XLS, geração previsível de GUIDs e brechas envolvendo macros.

Community Edition ficou mais leve

Outra mudança importante aconteceu na edição comunitária do ONLYOFFICE Docs, voltada para self-hosting. Os desenvolvedores simplificaram bastante a estrutura da aplicação. O sistema agora roda em processo único e deixou de depender obrigatoriamente de componentes como RabbitMQ e bancos de dados externos. Isso reduz bastante a complexidade de instalação e manutenção em servidores menores.

A limitação de 20 conexões simultâneas da Community Edition também foi removida, o que deve agradar pequenas empresas e equipes que utilizam a suíte internamente.

Um projeto cada vez mais corporativo

O ONLYOFFICE continua sendo uma das alternativas mais fortes do ecossistema Linux para quem precisa de compatibilidade com formatos do Microsoft Office sem abandonar uma solução open source. Mas os acontecimentos recentes também mostram um projeto cada vez mais preocupado com proteção de marca, posicionamento comercial e controle do ecossistema ao redor da plataforma.

Isso não significa que o ONLYOFFICE deixou de ser software livre. Mas mostra que a relação entre open source e interesses comerciais continua sendo uma linha delicada, especialmente quando forks começam a ganhar relevância.

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