Sejam bem-vindos a mais um Diolinux News! No episódio dessa semana temos o fim do processador i486 no Linux, um grande vazamento de código e até mesmo ótimas novidades para o KDE. Vamos às notícias!

Fim do suporte para i486 no Kernel Linux

Quer instalar Linux no seu computador com processador i486 dos anos 90? Bizarramente, ao menos do que depender do kernel Linux, ainda é possível. Mas em breve você não poderá ter a versão mais recente.

Uma discussão entre desenvolvedores do kernel mostrou que o fim dessa arquitetura está mais próximo do que nunca. O próprio Linus Torvalds comentou que já passou da hora de abandonar o suporte ao i486, afirmando que não existe nenhuma razão real para continuar investindo tempo de desenvolvimento em algo tão obsoleto.

Com isso, partes do código responsáveis por manter a compatibilidade com esses processadores estão sendo revisadas e, em alguns casos, removidas. A manutenção desse tipo de suporte exige esforço contínuo, testes e adaptações, algo que não faz mais sentido quando praticamente não há uso real no mundo moderno.

Apesar de não existir uma data oficial para essa mudança, há indícios de que ela pode aparecer já no kernel 7.1. Talvez esteja na hora de fazer um upgrade no seu computador de mais de 30 anos.

GNOME 50 perde integração com o Google Drive

O GNOME 50 chegou com algumas novidades interessantes, embora grande parte seja menos visível Mas uma mudança importante acabou passando meio despercebida: a remoção da integração direta com o Google Drive no gerenciador de arquivos.

Até então, era possível conectar sua conta Google nas configurações do sistema e acessar arquivos do Drive como se fossem locais, diretamente no explorador de arquivos. Era uma funcionalidade prática, especialmente para quem usa o ecossistema Google no dia a dia. A partir da versão 50, isso deixa de ser possível.

O motivo não é exatamente uma escolha de design, mas sim uma questão técnica. O GNOME dependia da biblioteca libgdata para viabilizar essa integração, porém esse projeto está abandonado há anos. Com o tempo, o código foi ficando desatualizado, acumulando problemas e potenciais vulnerabilidades.

Chegou a um ponto em que manter essa funcionalidade começou a representar mais risco do que benefício. E aí não teve muito jeito: a solução foi remover. Ainda assim, nem tudo está perdido. A integração com a conta Google continua existindo para serviços como contatos e calendário, funcionando normalmente dentro do sistema.

Já para acessar o Google Drive, o usuário agora precisa recorrer a ferramentas externas, como o rclone ou o Insync, sendo este último uma solução paga. 

Polêmicas do Euro Office

Uma nova suíte de escritório entrou recentemente no radar: o Euro Office, propondo oferecer uma alternativa europeia para governos e organizações do continente, especialmente em um cenário geopolítico cada vez mais sensível. Mas o problema não está exatamente na ideia, e sim na origem.

O Euro Office é, na verdade, um fork do ONLYOFFICE criado pelo Nextcloud. E isso abriu espaço para uma série de acusações e troca de farpas entre as partes envolvidas.

Segundo o Nextcloud, a decisão de criar o fork veio de preocupações com transparência, governança e até questões políticas, já que o ONLYOFFICE tem origem russa, embora agora sua base esteja na Letônia. Além disso, eles alegam que o projeto original dificulta contribuições externas e não é tão aberto quanto aparenta.

Do outro lado, o ONLYOFFICE acusa o Nextcloud de violar a licença AGPLv3 o que, se confirmado, pode gerar consequências legais. Por enquanto, tudo ainda está no campo das declarações públicas. Nenhuma ação judicial foi tomada até o momento, mas o clima está longe de ser amistoso.

Diocast

No último episódio do Diocast, recebemos a Karol Attekita para uma conversa que vale muito a pena.

O papo girou em torno de desenvolvimento, carreira e o impacto das novas tecnologias no cotidiano de quem trabalha com software. Um daqueles episódios que não só informam, mas também fazem você refletir sobre o momento atual da área.

Código-fonte do Claude Code vazou

Um vazamento recente chamou atenção no universo da inteligência artificial. Por conta de um erro interno, cerca de 512 mil linhas de código em TypeScript relacionadas ao Claude Code acabaram sendo expostas publicamente. Segundo a empresa responsável, não se tratou de uma falha de segurança, mas sim de um erro humano.

Antes que você imagine algo mais grave, é importante esclarecer: não foi o modelo de linguagem em si que vazou. O material exposto está mais relacionado à estrutura do sistema, especialmente à forma como o Claude gerencia contexto e organiza informações internamente.

Mesmo sem conter dados sensíveis, esse tipo de vazamento levanta preocupações. Com mais visibilidade sobre o funcionamento interno da ferramenta, abre-se espaço para possíveis explorações, especialmente por parte de agentes mal-intencionados.

Ao mesmo tempo, também alimenta debates sobre transparência e segurança em sistemas baseados em IA.

Framework agora investe no KDE

Boas notícias para quem acompanha o desenvolvimento do KDE. A Framework, empresa conhecida por seus notebooks modulares e foco em sustentabilidade, anunciou que agora é uma das patrocinadoras oficiais do projeto.

Esse tipo de parceria, conhecido como “patronagem”, é bastante comum no mundo open source. Empresas contribuem financeiramente para apoiar o desenvolvimento e, em troca, fortalecem sua relação com a comunidade e ganham visibilidade.

Segundo o fundador da Framework, o KDE é extremamente popular entre os usuários da marca, o que torna esse apoio algo natural. Já o presidente do KDE destacou que essa parceria é uma evolução de uma colaboração que já vinha acontecendo.

O valor do investimento não foi divulgado, mas a Framework agora se junta a nomes de peso que já apoiam o projeto.

Drops

Novidades do Steam

Se você utiliza o Steam em mais de um dispositivo, como um PC e um Steam Deck, por exemplo, uma novidade interessante chegou na versão beta.

Agora é possível gerenciar downloads remotamente entre diferentes dispositivos. Diretamente da página de downloads, você consegue iniciar, pausar ou reorganizar instalações em qualquer máquina conectada à sua conta.

Promoção da semana

Se você acompanhava a cena de jogos lá por 2010, provavelmente lembra de Super Meat Boy, um dos jogos de plataforma mais caóticos e desafiadores da época. Agora, anos depois, a franquia ganhou uma continuação em 3D, mantendo a mesma proposta insana, mas com uma nova perspectiva.

O jogo está com desconto, saindo por R$ 66 no Steam, e roda no Linux através do Proton. Além disso, conta com classificação Ouro no ProtonDB e relatos de uma excelente compatibilidade.

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