
Se tem alguém em Hollywood que sabe reverter expectativas e surpreender, este alguém é Zach Cregger. O diretor norte-americano vem conquistando o público e a crítica especializada nas salas de cinema com um jeito único e autêntico de fazer terror, como visto no aclamado A Hora do Mal (2025), que intrigou os entusiastas do gênero no ano passado com uma história bastante macabra.
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Foi justamente esse sucesso que levou Cregger até os corredores da Capcom para comandar uma nova adaptação cinematográfica de Resident Evil, que estreia em setembro deste ano nos cinemas e teve um suposto roteiro vazado em fóruns online que fez muitos fãs ficarem preocupados com o projeto. Isso porque o possível roteiro possui um tom de comédia pastelão que, para muita gente, não condiz com o clima sombrio e claustrofóbico dos games. Até mesmo bebês zumbis parecem fazer parte da nova obra.
Por outro lado, o que essas pessoas podem não imaginar é que é justamente isso que pode transformar o filme de Resident Evil em algo único e bastante interessante para a franquia no geral. Afinal, Cregger é especialista em deixar o espectador morrendo de medo e, no minuto seguinte, entregar uma situação tão absurda que faz qualquer um dar risada.
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Mas o que tornou Zach Cregger um dos nomes mais requisitados do terror na atualidade e por que ele pode dar uma cara nova a Resident Evil nas telonas? O Canaltech conta a seguir um pouco da trajetória do cineasta e quais são as expectativas para o novo filme da franquia pós-apocalíptica.

Origens: a escola da comédia pastelão
Para conhecer quem Cregger é hoje, precisamos voltar no tempo para saber quem ele era no começo de sua trajetória artística. O que pode surpreender quem acompanha o trabalho do cineasta no gênero de terror hoje em dia é que o pontapé de sua jornada foi na comédia, principalmente com esquetes.
O trabalho mais conhecido do diretor no formato cômico, por exemplo, é The Whitest Kids U’Know, um programa humorístico de esquetes exibido entre os anos 2007 e 2011. Além de atuar na produção, Cregger também foi um dos fundadores, e fez seu nome na comédia com esquetes ácidas, exageradas e um toque de humor pastelão.
Ainda no gênero, o cineasta assinou a direção do filme Miss Março: A Garota da Capa (2009) e atuou nas sitcoms Friends with Benefits, Guys with Kids e Wrecked.

Toda essa experiência na comédia pode até parecer distante do atual momento do diretor no terror, mas elas têm mais relação do que aparentam. Isso porque o timing cômico necessário para conquistar a risada do público exige um controle gigantesco do tempo e da quebra de expectativa, dois elementos que aparecem no terror na construção da tensão, por exemplo.
E foi conquistando experiência nessa arte que Cregger chegou até Noites Brutais (2022), filme que colocou o nome do cineasta no centro dos holofotes com aquilo que ele sabe fazer de melhor: unir o terror à comédia.
A virada de chave: o fenômeno “Noites Brutais”
Lançado originalmente em 2022, Noites Brutais chegou de mansinho, caindo diretamente em plataformas de streaming. Com a direção e o roteiro assinados por Cregger, o longa é estrelado por Bill Skarsgård (It: A Coisa), Justin Long (Olhos Famintos) e Georgina Campbell (Os Observadores), e é um ótimo exemplo de como um suspense tradicional pode reverter totalmente as expectativas do público ao se transformar em algo bizarro e até mesmo hilário.
Na trama, acompanhamos uma mulher que viaja para fazer uma entrevista de emprego. Mas quando chega ao seu Airbnb, no meio da noite, ela se depara com uma situação inesperada: um homem estranho já está hospedado ali. Indo contra todas as regras do bom senso, ela decide dividir o local com o rapaz e não demora muito para descobrir que há um perigo ainda maior escondido no porão da casa.
O que mais chamou a atenção dos entusiastas de terror na época em que Noites Brutais veio ao mundo foi a maneira como Cregger conseguiu subverter tropos e clichês do gênero para entregar uma jornada completamente absurda.

Ao colocar os personagens em situações bizarras, o filme consegue tirar reações extremas dos espectadores que não conseguem acreditar nas escolhas controversas da protagonista, como quando ela decide permanecer no Airbnb com um homem que ela nunca viu na vida. A situação parece absurda e o clima de tensão vai crescendo, até que o diretor reverte tudo aquilo que você achava que iria acontecer com sequências tão surreais que, com certeza, vão te fazer rir em algum momento.
Consolidação com o caos de “A Hora do Mal”
Se Noites Brutais deu um gostinho daquilo que Zach Cregger poderia fazer, o elogiado A Hora do Mal foi uma consolidação para ele em Hollywood.
Um dos filmes de terror mais comentados e aclamados de 2025, o longa apresenta uma história macabra sobre o misterioso desaparecimento de todas as crianças de uma sala de aula, exceto uma, que somem na mesma noite e exatamente no mesmo horário.

Com o suspense do desaparecimento pairando no ar, a comunidade local entra em pânico à medida que os pais das crianças buscam por respostas e o caos toma conta da cidade quando segredos sombrios vêm à tona.
Assim como o longa anterior, A Hora do Mal mostra como Cregger consegue aproveitar sua experiência na comédia para abraçar o ridículo e o exagero. Enquanto a obra parece te levar para um caminho, o diretor chega para cortar as expectativas com sequências bizarras que, mesmo apresentando toques cômicos, não perdem a essência: o medo, o terror e o assombroso. É aquele tipo de cena tão absurda que a reação mais extrema do espectador é dar uma risada em meio ao pavor.
É justamente essa junção de duas coisas opostas que causa um efeito tão interessante nas telonas, algo que também vem sendo feito por Jordan Peele, renomado diretor por trás dos filmes de terror Corra! (2017) e Não! Não Olhe! (2022) que também começou sua carreira na comédia.
Por que Zach Cregger entende Resident Evil?
Olhando para a trajetória de Zach Cregger, não é difícil imaginar que o roteiro vazado do filme de Resident Evil esteja tão longe da verdade, embora não tenha sido confirmado pelo estúdio. Afinal, a comédia pastelão está presente na trajetória do diretor, e ele já provou que sabe subverter expectativas inserindo elementos cômicos em obras de terror para criar algo único.
Sem contar que, embora muitos fãs queiram adaptações mais séries da franquia apocalíptica, a própria saga de Resident Evil nos games abraça o absurdo vez ou outra. Basta se lembrar das plantas gigantes, os monstros de gosma e os diálogos um tanto quanto cafonas. Nas mãos de um diretor como Cregger, isso pode se transformar em um filme muito interessante e diferente do que vimos até então da franquia nas telonas.

Além disso, com Cregger no comando, é possível que os fãs recebam uma adaptação que se aproveita da loucura inerente à Raccoon City, indo para um lado não tão explorado dos games no audiovisual. Isso fará com que o projeto se livre da simples “cópia” de cenas dos jogos, trazendo uma história original e cheia de estilo.
E mais: se no meio de tudo isso nos depararmos com um humor pastelão e situações absurdas (como encontrar um bebê zumbi), será de maneira intencional e não desmedida, apostando em um lado mais ácido que consagrou Cregger na indústria cinematográfica como um diretor cheio de personalidade.
O novo filme de Resident Evil estreia no dia 17 de setembro nos cinemas brasileiros.
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