O tráfego global da internet cresceu 19% em 2025, impulsionado por uma onda inédita de atividade automatizada de bots de IA e pela consolidação de um mundo cada vez mais móvel. Os dados, revelados pelo abrangente Year in Review 2025 da Cloudflare, baseado na análise de milhões de requisições processadas por sua rede global, mostram um panorama digital em rápida transformação, onde a Inteligência Artificial já se tornou um ator central e os países europeus lideram a corrida pela qualidade da conexão.
O relatório anual da empresa, que possui uma das maiores infraestruturas de entrega de conteúdo e segurança do mundo, oferece um raio-X único da internet, destacando desde o comportamento de usuários e bots até as tendências de segurança e conectividade. O crescimento de 19% no tráfego total, superior aos 17% registrados em 2024, não foi uniforme ao longo do ano: após um primeiro semestre relativamente estável, a aceleração mais significativa começou em meados de agosto e continuou forte até dezembro.
IA dita o ritmo
O grande destaque do ano foi o impacto massivo e crescente dos data crawlers de Inteligência Artificial. Esses bots, usados por empresas como OpenAI, Anthropic e Google para coletar dados e treinar seus modelos, já são responsáveis por uma parcela significativa do tráfego.
- O rastreador do Google, que serve tanto para indexação de busca quanto para treinamento de IA, foi o agente mais ativo da internet. Sozinho, ele foi responsável por 4.5% de todas as requisições de páginas HTML, uma fatia ligeiramente maior do que todos os outros bots de IA somados (4.2%). Essa dupla função coloca os donos de sites em um dilema: bloquear o rastreio para IA significa arriscar a visibilidade no Google Search;
- O tipo de rastreio que mais cresceu foi o de “ação do usuário”, quando um bot acessa um site em resposta a uma pergunta feita em um chatbot (como o ChatGPT). Esse volume aumentou mais de 15 vezes entre janeiro e dezembro de 2025;
- O crawl-to-refer ratio (razão entre rastreio e referência), mostra o quanto uma plataforma rastreia um site versus o quanto ela envia tráfego humano de volta. Enquanto a busca tradicional do Google mantém uma razão baixa (entre 3:1 e 30:1), plataformas de IA como a Anthropic registraram razões altíssimas, na casa das dezenas de milhares para uma, indicando que rastreiam massivamente, mas devolvem pouco tráfego orgânico.
Como reação, muitos donos de conteúdo usam o arquivo robots.txt para bloquear o acesso. Os user agents de bots de IA puros, como o GPTBot (OpenAI) e o ClaudeBot (Anthropic), estão entre os mais bloqueados completamente nos principais domínios da web.

Conectividade e segurança
O relatório da Cloudflare também traça um retrato detalhado de como nos conectamos e dos desafios que a rede global enfrenta.
Em 117 países, a maioria das requisições web já vem de dispositivos móveis. Globalmente, 43% do tráfego é móvel. A divisão entre Android e iOS revela uma divisão socioeconômica: enquanto o iOS responde por mais da metade do tráfego em economias desenvolvidas como Dinamarca (65%) e Japão (57%), o Android é absolutamente dominante em mercados em desenvolvimento, ultrapassando 90% do tráfego em 27 países, como Bangladesh e Etiópia. No Brasil, o Android também domina entre os dispositivos móveis, representando 81% dos acessos.

Velocidade e confiabilidade
A Europa se consolidou como a região com a internet de melhor qualidade. Espanha e Hungria lideram o ranking mundial de velocidade de download, com médias superiores a 300 Mbps. Mesmo geograficamente isolado, surpreendentemente, o Brasil está entre os melhor colocados. No entanto, a confiabilidade da rede ainda é um problema grave: quase metade das 174 grandes interrupções de internet registradas em 2025 foram causadas por ordens de desligamento governamentais, por vezes para evitar cola em exames ou controlar protestos.

O cenário da segurança
O crescimento da internet veio acompanhado de ataques mais numerosos e poderosos:
- Novos alvos: Pela primeira vez, organizações da sociedade civil (como instituições religiosas e sem fins lucrativos) se tornaram o setor mais atacado, recebendo 4.4% de todo o tráfego mitigado globalmente;
- Ataques recordistas: Ataques DDoS hipervolumétricos (acima de 1 Tbps) atingiram um pico de 31 Tbps, um aumento de cerca de 10 vezes em magnitude durante o ano.
- Criptografia pós-quântica: Em uma nota positiva, a adoção de criptografia resistente a computadores quânticos decolou, protegendo 52% do tráfego humano na rede Cloudflare, ante 29% no início do ano.

O que esperar do futuro?
Os dados de 2025 desenham uma internet dual: por um lado, mais rápida, móvel e segura contra ameaças futuras; por outro, sob intensa pressão de governos, ataques cibernéticos e com seu ecossistema de conteúdo sendo remodelado à força pela coleta massiva de dados para IA. A dependência da sociedade da rede é inegável, o número de usuários globais atingiu 6 bilhões, cerca de 73% da população mundial, mas os desafios de qualidade, acesso equitativo e governança dos novos agentes automatizados definem a agenda para os próximos anos.
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