A Mozilla lançou oficialmente o Firefox 143, a mais recente atualização do seu navegador de código aberto, e esta versão traz uma mistura de novas funcionalidades orientadas para a conveniência, integração de inteligência artificial e a privacidade do utilizador. Embora algumas adições sejam bem-vindas, outras refletem uma mudança estratégica significativa.
Integração de IA: Microsoft Copilot e o caminho para o Page Buddy
Uma das adições mais curiosas no Firefox 143 é a integração do Microsoft Copilot diretamente na barra lateral do navegador. Ele junta-se a outros chatbots de IA já disponíveis, como o ChatGPT da OpenAI e o Claude da Anthropic, formando um painel de assistentes virtuais baseados na nuvem.

É necessário aceitar os termos de uso e política de privacidade da Microsoft, afinal, em ferramentas de terceiros suas interações estão sujeitas às regras dessas empresas. Vale destacar a funcionalidade que permite clicar com o botão direito numa página web e usar o menu de contexto para pedir ao Copilot que a resuma.

No entanto, esta abordagem levanta questões sobre a privacidade dos dados, uma bandeira histórica da Mozilla. Reconhecendo isto, a Mozilla está desenvolvendo o seu próprio assistente de IA, conhecido internamente como “Page Buddy” ou “Page Assist”.
A chave é que este recurso será alimentado por um modelo de linguagem local, executado diretamente no dispositivo do usuário. Isto significa que todas as perguntas e respostas sobre o conteúdo da página permanecerão privadas, nunca deixando o computador. Este recurso está alinhado com os valores de privacidade declarados pela Mozilla e é uma evolução muito mais interessante do que a simples integração de serviços de terceiros.
Web apps no Windows
Finalmente, após anos de espera, o Firefox introduz suporte para web apps – mas, por agora, apenas para utilizadores do Windows. A funcionalidade permite “adicionar ao taskbar” qualquer website, que subsequentemente pode ser lançado como uma janela simplificada e independente do navegador principal.

Embora seja um passo na direção certa, a implementação atual parece um pouco básica. A Mozilla já deixou claro que não planeja suportar a especificação completa de PWAs, optando por uma abordagem mais conservadora onde os aplicativos web ainda “se sentem” como parte do Firefox. Esta hesitação é irônica, considerando que a Mozilla foi uma pioneira neste espaço com a ferramenta Prism, lançada em 2007. Para utilizadores de Linux e macOS, a espera continua, sem uma data de lançamento concreta.

Prevendo seus movimentos
O mecanismo Firefox Suggest, que fornece sugestões em tempo real na barra de endereços, foi significativamente expandido. Agora, ao digitar o nome de feriados nacionais ou celebrações importantes (como “Dia da Mãe” ou “Natal”), o Firefox mostrará imediatamente a data exata, poupando ao utilizador uma pesquisa no motor de busca. Infelizmente, esta funcionalidade está limitada a utilizadores nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Itália.
Mais controverso é o trabalho em andamento para integrar dados do mercado de ações. Códigos no navegador revelam planos para que pesquisas como “AAPL stock” (ação da Apple) desencadeiem um card com informações em tempo real diretamente na barra de URL. Isto será um recurso opt-in, pois envolverá o compartilhamento de dados de consulta com terceiros. Esta direção abre uma nova potencial fonte de receia para a Mozilla mediante parcerias patrocinadas, mas também aproxima o Firefox do território dos navegadores que priorizam serviços integrados sobre a neutralidade da pesquisa.
A luta contra o Fingerprinting
No Firefox 143, as proteções contra fingerprinting foram substancialmente melhoradas. Esta técnica permite que os rastreadores criem um perfil único do usuário com base em detalhes aparentemente inócuos do seu sistema, como resolução do ecrã, número de núcleos do processador e pontos de toque.
Agora, quando o modo de Navegação Privada ou a Proteção Avançada contra Rastreamento (ETP) Estrita estão ativos, o Firefox envia valores fictícios para estes atributos do sistema. Isto dificulta massivamente a capacidade dos rastreadores de criarem uma impressão digital única e precisa, dando aos utilizadores um grau de anonimato maior.
Melhorias de usabilidade e outros ajustes
Uma série de outras melhorias chega com esta versão:
- Pré-visualização de câmera: Quando um site pede acesso à câmera, uma pequena pré-visualização ao vivo é mostrada no diálogo de permissão, ajudando a selecionar o dispositivo correto e esconder a bagunça antes de ir ao ar;
- Gestão de downloads em navegação privada: O navegador pergunta agora se deseja manter ou eliminar arquivos transferidos após terminar uma sessão de navegação privada, prevenindo a eliminação acidental de arquivos importantes;
- Grupos de separadores: Foi adicionada a capacidade de arrastar um separador para cima de um grupo colapsado para o adicionar;
- Por fim, o suporte foi melhorado para o codec de áudio xHE-AAC no Windows 11, macOS e Android.
O Firefox 143 é uma atualização que reflete as complexas realidades de manter um navegador atualmente. Ele equilibra a adição de funcionalidades populares de IA e conveniências como Web Apps e sugestões contextuais com suas promessas de privacidade.
No entanto, a dependência de ferramentas de IA de terceiros e a perseguição de dados patrocinados na barra de endereços mostram uma Mozilla em encruzilhada, tentando competir num mercado dominado pelo Google Chrome.Quer entender mais sobre o buraco onde o Firefox entrou? Preparamos um conteúdo sobre isso!