Uma mudança fundamental e histórica está a caminho no Ubuntu. Após quase 20 anos utilizando o pacote initramfs-tools, o sistema operacional da Canonical fará oficialmente a transição para o Dracut como ferramenta padrão para gerar a initramfs, a partir da versão 25.10 “Questing Quokka”.
Para quem não é familiar com o termo, initramfs (initial RAM file system) é um sistema de arquivos temporário carregado na memória RAM durante a inicialização do Linux. Ele é um componente crítico, responsável por carregar os drivers e scripts necessários para montar o sistema de arquivos real e finalizar o processo de boot. É a ponte entre o kernel e o sistema totalmente inicializado.
A mudança, longe de ser impulsiva, é o culminar de um plano de transição que vem sendo executado ao longo de vários ciclos de lançamento:
- No Ubuntu 24.10, o Dracut estava disponível para testes manuais;
- No Ubuntu 25.04 o Dracut foi promovido a alternativa oficial, mas ainda opcional;
- Agora, no Ubuntu 25.10 o Dracut se torna o padrão, substituindo definitivamente o initramfs-tools.
O plano de longo prazo é que o initramfs-tools seja totalmente depreciado no próximo LTS, o Ubuntu 26.04, possivelmente sendo removido até mesmo dos repositórios principais.
A vantagem do Dracut
O Dracut, originalmente desenvolvido no ecossistema Fedora/Red Hat, traz uma abordagem fundamentalmente diferente e mais moderna. Enquanto o initramfs-tools tradicional depende de um conjunto extenso de scripts shell personalizados, o Dracut opera com um sistema modular. Ele constrói o initramfs usando pequenos módulos reutilizáveis, o que o torna:
- Mais fácil de manter: A base de código modular é mais limpa e organizada;
- Mais consistente: Alinha o Ubuntu com outras distribuições principais como Fedora e openSUSE, que já usam o Dracut há anos, facilitando a vida de desenvolvedores e administradores que trabalham em múltiplas plataformas;
- Potencialmente mais rápido: O processo de geração e atualização do initramfs pode ser mais eficiente.
Para a grande maioria dos usuários finais, essa transição será completamente imperceptível. Seu sistema continuará inicializando normalmente, e as atualizações ocorrerão sem interrupções. A mudança é profundamente técnica e ocorre nos bastidores.
O verdadeiro impacto é na engenharia e manutenção do Ubuntu. A adoção do Dracut representa uma modernização significativa da infraestrutura central do sistema, promovendo maior confiabilidade e padronização com o resto do mundo Linux.
Mas a transição não foi feita sem resolver dependências críticas. A equipe de desenvolvimento trabalhou para garantir compatibilidade com configurações mais complexas, como com ZFS criptografado e hardware específico como os dispositivos Qualcomm.
Com os builds diários do Ubuntu 25.10 já disponíveis para testes, os entusiastas podem experimentar desde já essa nova base. O lançamento final está agendado para 9 de outubro, marcando o início de uma nova era para o processo de boot do Ubuntu.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!