A pergunta “Qual distribuição Linux escolher para começar?” é um marco de iniciação na comunidade. Uma lógica bastante comum pode ser considerar “começar pelo começo” e buscar uma distro que seja “o pai de todos”, encontrando assim o Debian. Mas o Debian é uma boa opção para quem nunca usou Linux? A resposta, como tudo no mundo open source, é cheia de nuances.
Spoiler: provavelmente não
Para um iniciante absoluto, que está dando os primeiros passos para entender o que é um kernel, um ambiente desktop ou um gerenciador de pacotes, o Debian não é a distribuição mais amigável.
O grande ponto de atrito é a filosofia do Debian. Ele não é projetado para “segurar a mão” do usuário. Seu instalador apresenta uma lista de ambientes de desktop sem maiores explicações. Ele pressupõe que você já saiba (ou esteja disposto a aprender por conta própria) conceitos como partição de boot, sistemas de arquivos e configuração de serviços. Para alguém que vem do Windows ou macOS, onde a complexidade é abstraída, essa pode ser uma grande barreira.
No entanto, a resposta não é preto no branco. O Debian pode ser uma opção viável em alguns cenários de iniciantes:
- Para o usuário “configurado”: Se o sistema for instalado e configurado por alguém com conhecimento (ex.: um neto configurando o PC para a avó), o Debian se torna uma escolha excelente. Sua extrema estabilidade garante que nada mude drasticamente por anos. A avó não vai acordar um dia com a interface completamente diferente ou com botões que mudaram de lugar. É um sistema “configure e esqueça”;
- Para o usuário técnico de outras plataformas: Se você já é um usuário avançado do Windows ou macOS, acostumado a editar o Registro, scripts ou terminal, a curva de aprendizado será menos íngreme. Você já tem a mentalidade de “resolver problemas” e “procurar no Google (e chegar aqui no Diolinux)”. Os conceitos de particionamento e configuração de sistema não serão novidade, apenas os termos e locais dos arquivos serão diferentes.
O Debian está mais alinhado filosoficamente com o Arch Linux do que com distros como Linux Mint ou Ubuntu. Ambas as distribuições pressupõem que o usuário sabe o que está fazendo e esperam que ele leia a documentação para configurar as coisas manualmente. A documentação do Debian (equivalente à Wiki do Arch) é vasta e completa, mas cabe ao usuário a iniciativa de procurá-la.
O conselho que fica é: entenda seu objetivo. Se você quer aprender Linux profundamente e não tem medo de ler a documentação e quebrar (e consertar) coisas, o Debian é um caminho válido, mas talvez não o mais suave.
Mas se você só quer um sistema que funcione sem complicações, distros como Linux Mint, Zorin OS, Ubuntu ou Pop!_OS são escolhas mais adequadas. Elas foram projetadas especificamente para reduzir o atrito inicial e oferecer uma experiência mais polida e amigável.
O Debian é a base sólida e confiável sobre a qual grande parte do ecossistema Linux é construída. Ele é uma distribuição fantástica, mas como ponto de partida, exige que o usuário já tenha uma bússola ou esteja disposto a aprender a navegar por mares mais bravios. Para a maioria dos iniciantes, começar com uma distro mais guiada é como aprender a nadar na parte rasa antes de enfrentar o oceano aberto do Debian.Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista na íntegra ao episódio onde exploramos as novidades do Debian 13 e as características desse sistema que é uma das bases do ecossistema Linux atual.