A Mozilla liberou a versão 142 do seu navegador Firefox, e a atualização traz um pacote robusto de novidades que equilibram inteligência artificial, usabilidade e privacidade. Enquanto a indústria mergulha de cabeça no hype da IA, a Mozilla tenta uma abordagem mais cautelosa, priorizando, na medida do possível, o processamento local e o controle do usuário.
Extensões podem usar IA local
Sob o capô, a mudança mais significativa é o suporte à API wllama. Isso permite que desenvolvedores de extensões integrem modelos de linguagem (LLMs) locais diretamente em seus add-ons, utilizando bibliotecas como a transformer.js.
Isso abre um leque de possibilidades para funcionalidades de IA com foco em privacidade, como sumarização de texto, tradução ou análise, sem que os dados deixem o computador do usuário. No entanto, o aviso de sempre permanece: a inferência de IA local usa intensivamente a CPU e pode ser lentíssima em hardware modesto.
Novidades na nova guia: conteúdo por tópicos
A mudança mais visível, porém ainda exclusiva para usuários norte-americanos, é a introdução de “Tópicos” na página de nova guia. Em vez de recomendações genéricas de artigos, as histórias e o conteúdo patrocinado agora são agrupados em categorias como Esportes, Alimentação e Entretenimento.
Os usuários podem seguir tópicos de interesse e bloquear aqueles que não desejam ver. Embora o feed do Firefox seja notavelmente menos sensacionalista que o de outros navegadores, a capacidade de filtrar ativamente o conteúdo que Mozilla escolhe exibir é um passo importante em direção a uma experiência personalizada e menos intrusiva.
Previsões de links
A aguardada função de pré-visualizar links (Link Previews) finalmente deixa o status experimental e chega à versão estável nos EUA, Reino Unido e Canadá. Agora, para os usuários desses países, ao clicar com o botão direito em um link e selecionar “Visualizar Link”, uma janela pop-up exibe uma miniatura do site, uma breve descrição e até uma estimativa do tempo de leitura.
A funcionalidade também apresenta a opção de resumos com pontos-chave gerados por IA. Habilitar esse recurso faz o Firefox baixar um modelo de linguagem para execução localmente no dispositivo. A ideia é nobre, preservar a privacidade ao não enviar dados para a nuvem, mas segundo o portal OMG Ubuntu, a execução atual deixa muito a desejar. Os resumos são gerados com lentidão extrema, frequentemente são imprecisos, banais ou simplesmente erram o ponto central do artigo. Geralmente, clicar no link e ler o conteúdo ainda é drasticamente mais rápido e eficiente.
A feature tem como requisito, um dispositivo com “mais de 3 GB de RAM disponível”, uma especificação vaga que gera dúvidas se é RAM livre ou total instalada.
Grupos de abas mais inteligentes e privacidade
Para os usuários que vivem de abas, uma pequena melhoria chega aos Grupos de Abas. Agora, ao recolher um grupo, a aba ativa permanece visível, permitindo que você se concentre nela sem a desordem visual do grupo expandido. É uma otimização de fluxo de trabalho simples e inteligente.

Na frente de privacidade, a Proteção Aprimorada Contra Rastreamento (ETP) ganha flexibilidade. Os modos “Rigoroso” e “Personalizado” agora incluem listas de exceções que podem ser aplicadas automaticamente para evitar quebras de funcionalidade essenciais em sites. A configuração é encontrada em Configurações > Privacidade e Segurança e permite que o Firefox faça um equilíbrio mais balanceado entre bloquear rastreadores agressivos e manter a usabilidade da web.

Acabamentos e ajustes
A atualização traz uma série de outros refinamentos:
- O preenchimento automático da barra de endereços agora mostra menos resultados duplicados ao pesquisar o histórico;
- Clicar em uma notificação persistente com o Firefox fechado agora reabre o navegador diretamente na página relevante, e não em uma nova guia em branco;
- É possível remover extensões da barra lateral com um clique direito e “Remover da Barra Lateral”;
- Foi adicionado o suporte às APIs
Prioritized Task SchedulingeURLPattern, dando mais poder aos desenvolvedores web para gerenciar tarefas e analisar URLs.
O Firefox 142 não é uma revolução, mas uma evolução consistente e bem pensada. A Mozilla demonstra cautela com a IA, preferindo implementá-la de forma opcional e local, em contraste com a abordagem mais agressiva e baseada em nuvem de concorrentes como Google e Microsoft.
Ao empoderar extensões com IA local, dar mais controle sobre as abas e o conteúdo da nova guia, e flexibilizar suas proteções de privacidade, o Firefox reforça sua filosofia: colocar o usuário no controle, mesmo que isso signifique mover-se mais devagar que o resto do mercado.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter semanal!