Se você está pensando em comprar um Asus Vivobook Go 15 com Keep-OS, prepare-se para uma jornada que mistura curiosidade técnica, frustrações inesperadas e algumas surpresas escondidas sob um sistema operacional que parece ter saído diretamente de uma cápsula do tempo. Este notebook de entrada promete ser uma opção acessível, mas será que ele entrega uma experiência realmente funcional para o dia a dia? Vamos desvendar cada detalhe, desde o hardware até as peculiaridades do Keep-OS, sem economizar nas observações sinceras.

Um notebook que seduz pelo preço

O Vivobook Go 15 chega com um visual discreto, em um tom de preto fosco chamado Mixed Black. O preço é convidativo, podendo ser encontrado por pouco mais de R$ 2000 pela internet. Mas vamos ao que realmente importa: as especificações técnicas. Sob o capô, encontramos um processador AMD Ryzen 5 7520U. São quatro núcleos e oito threads, uma configuração que deve ser suficiente para tarefas cotidianas. Acompanhando o chip, temos 8 GB de RAM LPDDR5 (soldados, sem possibilidade de upgrade) e um SSD de 1 TB, um verdadeiro luxo para um notebook nesta faixa de preço.

A tela de 15,6 polegadas em resolução Full HD possui tratamento antirreflexo, um detalhe que faz diferença em ambientes mais iluminados. No quesito conectividade, temos Wi-Fi 5 e Bluetooth 5.1, mas nenhuma porta Ethernet — uma ausência que pode ser um problema para quem depende de conexões estáveis. Ao menos temos 3 portas USB, sendo uma USB 2.0, e duas 3.0, uma delas no formato USB-C, sem saída de vídeo. A saída de vídeo fica por conta do HDMI, com resolução 1080p.

Quem vê a marca Ryzen 5 pode imaginar que está diante de uma máquina capaz de enfrentar tarefas mais pesadas, mas a realidade é um pouco mais modesta. O 7520U é baseado na arquitetura Zen 2, que já foi substituída por versões mais eficientes como Zen 3 e Zen 4.

No lado positivo, o chip tem um TDP de apenas 15W, o que significa consumo energético eficiente e menos aquecimento. Para tarefas básicas como navegação web, edição de documentos e streaming, o desempenho é satisfatório, com resposta ágil e poucos travamentos.

Agora, as más notícias: o gráfico integrado Radeon 610M é extremamente modesto, com apenas duas unidades de execução. Isso significa que jogos modernos estão fora de cogitação, e mesmo tarefas como edição de vídeo leve podem ser um desafio. Se comparado a outros processadores de entrada, como o Ryzen 5 5500U, o desempenho fica claramente atrás.

Resumindo, o 7520U é um processador que cumpre o básico sem alardes.

Keep-OS: o sistema que parece ter sido criado em um laboratório secreto

Agora chegamos ao grande diferencial — negativamente falando — deste notebook: o Keep-OS, uma distribuição Linux baseada no Debian 11 Bullseye. Se você nunca ouviu falar dele, não se preocupe. Parece que a ASUS decidiu criar sua própria versão piorada de uma versão desatualizada do Debian.

A primeira impressão ao ligar o notebook é de que você foi transportado para os anos 1990. A interface padrão, usando o ambiente Cinnamon, tem um visual que beira o rudimentar. O tema aplicado parece ter sido escolhido no escuro, com ícones aleatórios e uma organização pouco intuitiva.

O que não te contam sobre o KeepOS do Asus Vivobook Go 15 2

Os pecados do Keep-OS

Um dos maiores problemas do Keep-OS é que ele está baseado no Debian 11, que já entrou em fase de manutenção estendida. Isso significa que muitos pacotes estão desatualizados, incluindo o navegador Chrome, que veio em uma versão tão antiga que quase não dava para utilizar.

Outro ponto crítico é a configuração dos repositórios. Por padrão, apenas a seção MAIN do Debian está ativada, o que significa nenhum suporte a codecs multimídia sem intervenção manual.

Tentar instalar programas modernos usando Flatpak ou Snap também foi uma experiência frustrante. Nenhum deles vem ativado e ao ativar, muitos aplicativos simplesmente se recusavam a funcionar devido a bibliotecas do sistema desatualizadas. O Steam, por exemplo, mostrou-se praticamente inutilizável.

Tentando despiorar o Inimelhorável

Após ativar os repositórios CONTRIB e NON-FREE, instalar codecs e tentar trazer o Keep-OS para o século XXI, a experiência melhorou — mas não o suficiente para ser considerada boa.

O que não te contam sobre o KeepOS do Asus Vivobook Go 15 1

Programas básicos como GIMP e LibreOffice funcionam, mas em versões antigas. A ausência de uma loja de aplicativos amigável torna a instalação de software uma tarefa para iniciados. E mesmo após horas de configuração, a sensação é de que o sistema continua preso no passado, no pior sentido.

Vale a pena comprar o Vivobook Go 15 com Keep-OS?

Se você é um usuário avançado de Linux, talvez consiga extrair algum valor deste notebook com o sistema operacional original. Com um pouco de paciência (e vários comandos no terminal), é possível transformá-lo em uma máquina funcional.

Mas para o usuário comum, a experiência pode ser desastrosa. O Keep-OS não é intuitivo, está desatualizado e exige um nível de conhecimento técnico que a maioria das pessoas não possui. Se você só quer um notebook para navegar na internet, vai precisar instalar outro sistema operacional.

Se você já adquiriu o Vivobook Go 15 e está arrependido, ainda há esperança. Uma opção é substituir o Keep-OS por outra distribuição Linux, como o Linux Mint, Zorin OS ou Ubuntu, que oferecem interfaces mais modernas e suporte amplo a aplicativos. Infelizmente, precisamos admitir que muitas pessoas ao adquirir o aparelho simplesmente recorrerão ao Windows pirata, podendo comprometer toda a sua segurança digital.

Uma oportunidade perdida

O Asus Vivobook Go 15 com Linux é um produto que poderia ser interessante, mas acaba sendo uma oportunidade desperdiçada. O hardware, apesar de algumas limitações, é decente para o preço. O problema está na escolha da distro, que parece não ter sido pensada para o usuário final, somente em algum desenrolo legal.

Com alguns ajustes, o Keep-OS poderia se tornar uma opção viável para quem busca um notebook econômico com Linux. No estado atual, porém, ele mais atrapalha do que ajuda. Se a ASUS quiser competir neste segmento, precisará, no mínimo, atualizar o sistema para algo mais alinhado com as expectativas atuais.

E se você ainda está em dúvida sobre qual caminho seguir, lembre-se: nem todo Linux é assim. Existem distribuições muito mais amigáveis e modernas por aí.

Um belo exemplo é o Zorin OS!