Existe algo curioso na relação com jogos antigos: quanto maior fica a coleção, mais difícil parece escolher alguma coisa para jogar. A nostalgia ajuda a acumular ROMs, mas não necessariamente ajuda a aproveitá-las. Entre emuladores diferentes, configurações específicas, arquivos espalhados pelo computador e aquela dúvida permanente sobre qual jogo começar, uma sessão que deveria levar alguns minutos pode acabar consumindo boa parte do tempo apenas na preparação.

O RomM tenta resolver esse problema de uma maneira criativa. O projeto open source funciona como um gerenciador para coleções de jogos antigos e, além de organizar as ROMs, permite executá-las pelo navegador. A proposta lembra uma espécie de Netflix pessoal, só que voltada para jogos clássicos.

A diferença é que essa biblioteca fica sob o controle do próprio usuário. O RomM pode rodar em um computador doméstico, em um homelab ou até em um servidor, para ser acessado por outros dispositivos.

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O que você precisa para começar

Os requisitos são surpreendentemente baixos. Para montar um servidor RomM, são necessários três elementos: um computador para funcionar como servidor, uma distribuição Linux e Docker.

Como o Docker roda em praticamente qualquer distribuição Linux, a escolha da distro não é particularmente importante. Quem já possui um homelab com sistemas como TrueNAS, ZimaOS, Umbrel ou alguma alternativa semelhante pode ter ainda menos trabalho para colocar tudo funcionando.

O hardware também não precisa ser poderoso. O requisito indicado é de pelo menos 512 MB de RAM, enquanto processadores dos últimos 15 anos conseguem lidar com jogos da era dos 16 bits para trás.

O armazenamento depende, naturalmente, do tamanho da coleção. Ainda assim, ROMs antigas ocupam pouco espaço. Uma coleção completa com mais de 1.700 jogos de Super Nintendo, por exemplo, pode ocupar menos de 2 GB.

Isso permite aproveitar até mesmo aquele computador antigo que já não teria muita utilidade para tarefas modernas.

Três maneiras de instalar

Existem diferentes caminhos para colocar o RomM em funcionamento. Quem utiliza uma VPS da Hostinger pode instalar o aplicativo diretamente pela área de aplicativos do servidor. Em um homelab baseado em ZimaOS, também é possível recorrer à loja integrada do sistema.

Para quem prefere fazer tudo manualmente, existe a instalação oficial utilizando Docker Compose. O procedimento consiste essencialmente em criar um arquivo de configuração que determina como o servidor RomM será executado, ajustar os parâmetros necessários e iniciar o container.

A documentação do projeto acompanha esse processo e explica os parâmetros disponíveis. Uma boa organização desde o começo também ajuda. Criar uma pasta específica para armazenar o projeto evita que arquivos de configuração acabem espalhados pelo servidor e facilita futuras alterações.

Essa organização se torna especialmente útil quando entram em cena os metadados.

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Capas, informações e metadados automáticos

Uma das características mais interessantes do RomM é que você não precisa montar manualmente uma ficha para cada jogo.

Depois que uma ROM é adicionada à biblioteca, o sistema pode procurar automaticamente informações como capa e outros dados relacionados ao título. Para uma coleção pequena isso já é conveniente. Para uma biblioteca com centenas ou milhares de jogos, passa a ser uma diferença enorme.

Ainda assim, alguns títulos podem não ser identificados corretamente. Isso é especialmente provável quando a coleção possui jogos raros ou versões menos comuns.

Nesses casos, o RomM permite utilizar provedores adicionais de metadados. Serviços como o ScreenScraper podem fornecer imagens e informações que não foram encontradas automaticamente. A configuração desses serviços é feita no arquivo do Docker Compose.

O mesmo vale para quem pretende utilizar o RetroAchievements. O serviço adiciona conquistas a jogos antigos e pode ser integrado ao RomM para acompanhar esse progresso dentro da própria biblioteca.

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Uma biblioteca feita para ser explorada

Depois da instalação e da configuração inicial, o RomM começa a fazer sentido como um gerenciador de coleção.

O sistema permite pesquisar jogos pelo nome, filtrar por plataforma e criar coleções personalizadas. Cada título pode reunir uma quantidade considerável de informações, incluindo descrição, data de lançamento, gênero, franquias, desenvolvedores e indicação sobre multiplayer.

Também existe uma área de mídia na qual podem ser adicionados elementos como manuais, trilhas sonoras e screenshots.

A biblioteca pode ficar cada vez mais personalizada conforme o usuário interage com ela. É possível favoritar jogos, criar coleções, adicionar notas e definir um status para acompanhar aquilo que já foi terminado ou ainda está pendente.

Quem utiliza o RetroAchievements também pode visualizar as conquistas relacionadas aos jogos.

Outra função simples, mas importante, é a possibilidade de baixar novamente uma ROM da própria coleção para outro dispositivo. Assim, o RomM não serve apenas como catálogo: ele também centraliza os arquivos que compõem a biblioteca.

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O navegador vira o seu console

É aqui que o projeto deixa de ser apenas um organizador de ROMs. O RomM permite executar jogos diretamente pelo navegador graças ao EmulatorJS, outro projeto open source que fornece a infraestrutura de emulação utilizada pelo sistema.

Isso significa que, para jogar, o usuário pode simplesmente acessar o servidor pelo navegador. Não é necessário configurar um emulador individual toda vez que quiser experimentar outro jogo.

A experiência também inclui recursos que fazem bastante sentido em uma biblioteca de jogos antigos. É possível pausar uma partida, criar save states e continuar posteriormente exatamente de onde parou.

O controle pode ser feito pelo teclado ou por um gamepad. No smartphone, o RomM consegue apresentar controles na própria tela, adaptando a experiência para dispositivos que não possuem um controle físico conectado.

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Há ainda shaders capazes de modificar a apresentação dos jogos. É possível simular características visuais das antigas TVs de tubo ou aplicar um tratamento de upscale aos pixels, algo particularmente interessante quando jogos desenvolvidos para resoluções muito baixas são exibidos em telas modernas.

O RomM também possui clientes para diferentes plataformas, incluindo o Steam Deck. Isso amplia ainda mais as possibilidades de acesso à biblioteca.

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A função que resolve a indecisão

Existe, porém, um recurso particularmente adequado para coleções grandes: o botão de jogo sugerido.

Quanto maior fica uma biblioteca, mais difícil pode ser decidir o que jogar. Ter centenas de títulos disponíveis parece uma vantagem até o momento em que você percebe que passou mais tempo navegando pela coleção do que jogando.

O jogo sugerido funciona justamente para esses momentos. Se você tem apenas alguns minutos disponíveis e quer jogar alguma coisa sem pensar muito, pode deixar que o RomM escolha um título da coleção.

É uma função simples, mas combina perfeitamente com a proposta do projeto. O objetivo não é apenas preservar uma grande quantidade de jogos, mas tornar essa biblioteca realmente utilizável.

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Três problemas que você precisa conhecer

Apesar de bastante completo, o RomM ainda possui algumas limitações. A primeira está relacionada às capas. Caso um jogo não seja reconhecido automaticamente e nenhum provedor adicional de metadados tenha sido configurado, ele pode aparecer sem imagem. É possível corrigir isso manualmente pela própria interface, adicionando a capa, ou configurar serviços como o ScreenScraper no servidor.

O segundo ponto envolve BIOS e firmware. Alguns consoles exigem arquivos adicionais para que seus jogos possam ser executados. PlayStation 1 e Nintendo 64 estão entre eles. Quando isso acontece, os arquivos correspondentes podem ser enviados pelas configurações do RomM.

O terceiro problema é a compatibilidade de determinadas plataformas com a execução pelo navegador. O PSP é um exemplo. O RomM consegue armazenar e organizar os jogos da plataforma, mas o módulo do PPSSPP possui um problema conhecido que impede a execução direta pelo navegador no momento.

Isso não significa que o servidor deixa de ser útil. O RomM pode continuar funcionando como catálogo e administrador da coleção, enquanto os jogos que exigem outro caminho são executados por emuladores instalados diretamente no dispositivo.

Um servidor para a sua nostalgia

A grande qualidade do RomM está em reunir várias tarefas que normalmente ficam separadas. Ele organiza a coleção, busca informações, apresenta capas, mantém seus jogos acessíveis, permite acompanhar conquistas e ainda oferece uma camada de emulação acessível pelo navegador.

Tudo isso pode funcionar em um computador bastante modesto. Mais interessante ainda é que o projeto combina duas ideias que costumam andar juntas no universo do Linux: reaproveitar hardware antigo e manter o controle sobre os próprios dados.

Um computador que estava parado pode virar o servidor de uma biblioteca inteira de jogos. Um navegador pode ser suficiente para acessar essa coleção. E, quando algum dispositivo não conseguir executar determinado título pelo RomM, ainda é possível usar o servidor para organizar os arquivos e recorrer a um emulador dedicado.

O resultado é uma maneira muito mais conveniente de lidar com uma coleção de jogos antigos. Em vez de procurar ROMs, configurar emuladores e decidir onde cada coisa está armazenada, o usuário passa a ter uma biblioteca centralizada, organizada e acessível.

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