O Linux 6.19 é o primeiro grande lançamento do kernel em 2026 e traz um pacote de mudanças que beneficia diretamente usuários de Intel, AMD e também quem joga ou usa Linux em hardware portátil. Após um ciclo de desenvolvimento um pouco mais longo que o habitual, o kernel finalmente foi liberado e entrega avanços importantes em desempenho gráfico, armazenamento, rede, segurança e compatibilidade com dispositivos modernos (e até antigos).
Um dos destaques mais comentados está no melhor suporte a GPUs AMD mais antigas. A partir do Linux 6.19, placas baseadas em GCN 1.0 e GCN 1.1 deixam de usar o antigo driver radeon e passam a utilizar, por padrão, o AMDGPU. Na prática, isso significa que modelos como Radeon HD 7000 e R9 200/300 ganham suporte nativo ao Vulkan (RADV), algo que antes exigia adaptações ou simplesmente não funcionava bem.
Em cenários específicos, testes apontam melhorias de desempenho de até 40%, especialmente em jogos e aplicações que usam OpenGL moderno ou Vulkan. Mais importante ainda, essas GPUs passam a funcionar melhor com camadas como DXVK e Proton, ampliando a compatibilidade com jogos atuais mesmo em hardware de mais de uma década.
HDR e gráficos
Outro avanço estrutural importante é a chegada da DRM Color Pipeline API ao kernel principal. Essa novidade é parte de um esforço maior, financiado pela Valve, para melhorar o suporte ao HDR no Linux. A ideia é permitir que transformações de cor e gerenciamento de HDR sejam feitos diretamente em hardware dedicado, em vez de sobrecarregar shaders da GPU.
Por enquanto, a API já é suportada pelos drivers AMDGPU, Intel e VKMS, mas o impacto prático depende do trabalho dos ambientes gráficos e compositores, como GNOME e KDE. Ainda não é “ativar e usar”, mas o Linux 6.19 coloca uma base sólida para um HDR mais estável, eficiente e com menor consumo de energia.
ext4 mais rápido e eficiente
O sistema de arquivos ext4 também recebeu melhorias. Agora, ele passa a suportar blocos maiores que o tamanho da página do kernel, reduzindo a fragmentação lógica e melhora o desempenho em operações com arquivos grandes. Em testes sintéticos, ganhos de até 50% em escrita foram observados, embora no uso cotidiano o impacto seja mais sutil.
Além disso, o kernel agora faz um cache mais inteligente de permissões (ACLs), evitando verificações repetitivas desnecessárias em pastas grandes. Somado a melhorias em cache por CPU e a um novo modelo de desfragmentação, o resultado é um ext4 mais eficiente, especialmente sob cargas pesadas.
Consoles portáteis e notebooks ganham atenção
O Linux 6.19 também reforça o suporte a hardware gamer e portátil. O novo driver ASUS Armoury foi integrado ao kernel, permitindo controlar limites de TDP, perfis de energia e alocação de VRAM em dispositivos como notebooks ROG e consoles portáteis, tudo sem depender de ferramentas exclusivas do Windows.
O Steam Deck também saiu ganhando: o kernel passa a reconhecer oficialmente sua APU no driver de monitoramento térmico, permitindo a leitura de temperaturas sem patches específicos da Valve. Outros notebooks, como modelos da Alienware, Lenovo e TUXEDO (Uniwill), receberam melhorias em controle de energia, teclado, RGB e carregamento rápido.
Rede, segurança e infraestrutura
Nos bastidores, há avanços menos visíveis, mas ainda importantes. A pilha de rede do Linux teve melhorias que prometem até 4x mais desempenho em cargas de transferência intensas, algo voltado principalmente a servidores, clusters de IA e ambientes de alto desempenho.
No campo da segurança, o kernel passa a suportar o Intel LASS (Linear Address Space Separation) em processadores mais novos, ampliando o isolamento entre espaço de usuário e kernel. Já em ambientes de nuvem, o Linux 6.19 incorpora o Live Update Orchestrator, tecnologia do Google que permite trocar o kernel com “reboots quentes”, reduzindo o downtime de minutos para milissegundos.
Um kernel que prepara o terreno
A disponibilidade das novidades do kernel Linux 6.19 vai seguir o ritmo normal de cada distribuição. No Arch Linux, as atualizações costumam chegar rapidamente por se tratar de uma distro rolling release bleeding edge. No Fedora, o kernel e os componentes relacionados tendem a aparecer no próximo lançamento, previsto para abril. Já no Ubuntu, as mudanças devem chegar gradualmente, primeiro nas versões mais recentes e, em alguns casos, apenas em lançamentos futuros ou por meio de backports e kernels HWE.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!