
Imagine a cena: você finalmente decide dar aquele fôlego extra para o seu PC, aproveita uma oferta imperdível de um SSD NVMe de 2 TB e, na hora de instalar, tudo parece bem. O Windows reconhece o espaço, os arquivos começam a ser transferidos… e aí o pesadelo começa. O sistema trava, a velocidade cai para níveis de um pendrive ou, pior, os arquivos que você acabou de copiar simplesmente desaparecem no limbo digital.
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Infelizmente, esse é um relato que pode ser real. O mercado de hardware, especialmente o de armazenamento e mais especificamente com os SSDs (já que o foco de HDDs está em outro lugar), foi inundado por componentes falsificados que vão muito além de um adesivo mal colado. Hoje, os golpistas conseguem forjar o firmware da peça para que ela engane o sistema operacional.
Vamos ajudá-lo a ficar esperto com essas tentativas de golpes, que podem ficar ainda mais em alta agora que os SSDs encareceram por conta da atual crise da indústria.
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Como esses golpes funcionam (e por que enganam tanta gente)
A pirataria de hardware evoluiu. Antigamente, você comprava um SSD Kingston e recebia algo visivelmente tosco, em se tratando de um modelo falso. Hoje, é até difícil distinguir em alguns casos. Existem três tipos principais de fraude:
- Adesivagem: um SSD genérico de baixíssima qualidade recebe uma etiqueta de uma marca premium.
- Firmware adulterado: esse é o mais perigoso. O golpista pega um chip de 120 GB e altera o software interno (firmware) para que ele diga ao Windows: “eu tenho 2 TB”. O sistema acredita, mas quando os dados passam de 120 GB, o SSD começa a sobrescrever os dados antigos, corrompendo tudo.
- Chips de rejeito: peças que falharam no controle de qualidade das grandes fábricas e deveriam ser destruídas são desviadas e montadas em PCBs genéricas. Elas funcionam por pouco tempo e morrem logo depois.

O sintoma clássico? O preço. Se um SSD de 2 TB de alto desempenho custa mais de R$ 1.000 hoje por causa da crise, e você o encontrou por R$ 300 em um marketplace internacional ou loja sem histórico, não é promoção, é risco.
Checklist para evitar cair em ciladas na hora da compra
A primeira linha de defesa é o seu senso crítico. Antes de clicar em comprar, é preciso avaliar alguns quesitos. A reputação do vendedor é a primeira delas. No Mercado Livre, Amazon ou AliExpress, olhe a data de criação da loja. Lojas “novas” com preços atraentes em produtos de alta procura são o maior sinal de alerta.
Além disso, fotos genéricas (ou renderizações em 3D) em vez de fotos reais do produto são suspeitas. Verifique se a descrição técnica bate com o modelo oficial. Se o anúncio diz “SSD Samsung 990 Pro” mas a velocidade descrita é de 2.000 MB/s (quando o real é 7.450 MB/s), fuja. Apesar de que esse tipo de erro é para os golpistas amadores.

Prefira sempre lojas que emitem nota fiscal e possuem canais oficiais de distribuição. A diferença de 50 reais entre um vendedor “cinza” e uma loja oficial é o preço da sua tranquilidade e da sua garantia.
Ao receber: o que checar sem abrir nada
O pacote chegou? Não saia rasgando tudo, faça antes uma triagem rápida e comece verificando a embalagem. Marcas grandes e conhecidas têm impressões de alta qualidade. Cores lavadas, erros de escrita ou falta de informações de lote e número de série são sinais claros de falsificação.
Compare o SSD com fotos de reviews confiáveis (como os aqui do Canaltech). Observe a qualidade do adesivo, o alinhamento dos componentes no PCB e os contatos do conector. Inconsistências grosseiras aqui já justificam a devolução imediata. Guarde tudo. Tire fotos da etiqueta da caixa e do próprio SSD. Isso será sua prova caso precise abrir uma disputa no marketplace.

No PC: testes simples que confirmam a verdade
Com o SSD instalado, vamos aos testes que vão definir se você está diante de um modelo original ou não. Esses testes são rápidos e você gastará pouquinhos minutos nisso.
1. Identificação básica
Comece usando o CrystalDiskInfo, já que ele lê as informações do firmware. Se o nome do modelo for diferente ou algo genérico em vez do modelo específico da caixa, você tem um problema em mãos. Cheque também se o status de saúde está em 100% e se o “Total Host Writes” está zerado (SSD novo não tem uso prévio).

2. Teste real de capacidade
Esse é o passo crucial. Use ferramentas como o AS SSD benchmark. Ele escreve dados aleatórios em todo o disco e os leem de volta. Se o SSD for um “fake” de 120 GB fingindo ser 2 TB, esses softwares apontarão o erro de gravação assim que o limite real for atingido.
3. Observação importante
Se você comprou um SSD barato e a velocidade cair bruscamente após alguns segundos de teste, isso pode não ser falsificação, mas sim a limitação do Cache SLC ou o fato de o SSD ser DRAM-less. SSDs de entrada usam uma parte da memória rápida para “maquiar” a lentidão do chip principal. Quando esse cache enche, a velocidade cai. Isso é característica de projeto, não necessariamente pirataria.

Sinais claros de falsificação e o que fazer
Se o seu teste deu erro, se o computador trava ao copiar pastas grandes ou se os arquivos somem após o reboot, pare de usar o drive imediatamente. O que fazer nesse caso:
- Reúna evidências: Print do CrystalDiskInfo e do erro no ValiDrive/H2testw.
- Acione o reembolso: Não tente “consertar”. Hardware falso é lixo eletrônico perigoso para seus dados.
- Denuncie: Ajude a comunidade reportando o vendedor no marketplace.
| Suspeitas de falsificação vs O que fazer | ||
| Red Flag | Risco | O que fazer |
| Preço 50% abaixo do mercado | Produto falso ou de rejeito | Desconfie e evite a compra |
| Nome do modelo genérico no PC | Firmware adulterado | Solicite devolução imediata |
| Erro de leitura após encher o disco | Perda total de dados | Pare de usar e peça reembolso |
Conclusão
Montar um PC competente sem gastar muito é uma arte, mas economizar no armazenamento em fontes duvidosas é o caminho mais curto para perder fotos de família ou trabalhos importantes. Na dúvida, prefira marcas consolidadas e revendedores autorizados.
Seguindo esse guia, as chances de você cair nesse tipo de golpe diminuem consideravelmente. Infelizmente, o mercado está cheio dessas armadilhas, e até placas de vídeo e memória RAM costumam sofrer disso também.
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