O mercado de distribuições Linux voltadas para jogos nunca esteve tão movimentado. Além do SteamOS, vemos projetos como Bazzite e Nobara disputando a atenção de quem quer instalar o sistema e simplesmente começar a jogar. É nesse cenário que se encontra o Pika OS, uma distro com foco em desempenho e praticidade para gamers.
Apesar do nome curioso para os lusófonos, a proposta é séria: entregar uma experiência otimizada para jogos, reduzindo ao máximo a necessidade de configurações manuais após a instalação.
Base Debian, mas com identidade própria
O Pika OS é baseado no Debian, porém não se apresenta como um Debian “puro”. A equipe seleciona e compila pacotes específicos para garantir estabilidade e otimizações voltadas ao público gamer.
No site oficial é dito que o sistema foi pensado para o usuário conseguir jogar logo após instalar, sem precisar configurar drivers, Proton, Wine ou bibliotecas gráficas manualmente. A ideia é oferecer alta compatibilidade e desempenho consistente, mantendo o código aberto como pilar central.
Outro ponto interessante é a variedade de edições. Há versões com GNOME, KDE Plasma, Hyprland e até COSMIC. Também existem ISOs específicas para placas NVIDIA modernas (GTX 1650 ou superiores), o que já elimina uma etapa comum e muitas vezes trabalhosa da configuração inicial.
Há ainda a promessa de uma ISO voltada para dispositivos handheld, seguindo a tendência de sistemas otimizados para portáteis como o Steam Deck.
Processo de instalação
A instalação é bastante tradicional e amigável. Após iniciar pelo modo live, o usuário pode testar o sistema antes de instalar, algo sempre positivo para quem quer verificar compatibilidade de hardware.
O instalador permite escolher idioma, layout de teclado, fuso horário e método de particionamento (automático ou manual). Para quem deseja simplicidade, o modo automático resolve tudo em poucos cliques, inclusive com suporte a criptografia de disco.
Um detalhe interessante é a possibilidade de escolher o sistema de arquivos (Btrfs, EXT4 ou XFS) e ajustar opções de swap e comportamento do bootloader. Embora o sistema seja voltado a iniciantes em jogos no Linux, ele não deixa de oferecer opções avançadas para quem quer mais controle.
A instalação em si é rápida, e após o primeiro reboot, o sistema apresenta um assistente de configuração complementar.

Pós-instalação: tudo centralizado
O grande diferencial do Pika OS começa a aparecer no assistente pós-instalação. Ele orienta o usuário em etapas claras:
- Atualização do sistema;
- Instalação de drivers adicionais;
- Instalação de codecs multimídia;
- Instalação do metapacote gamer.
Ao instalar o metapacote, o sistema automaticamente inclui ferramentas essenciais como Steam, Heroic Games Launcher, Lutris, Wine, MangoHud, GOverlay e VKBasalt.
Na prática, isso significa que o usuário não precisa preparar o ambiente de jogos. Basta fazer login nas plataformas desejadas e começar a baixar os títulos.
Para quem está migrando do Windows ou quer evitar tutoriais, esse nível de integração é um ponto muito forte.

Experiência inicial no sistema
Testamos a versão com GNOME, que oferece uma experiência limpa e moderna. O sistema mantém os aplicativos padrão do ambiente, como navegador, gerenciador de arquivos e utilitários básicos, permitindo que o computador seja usado não apenas para jogos, mas também para trabalho e estudo.
A tela de boas-vindas funciona como um hub central. É possível:
- Instalar aplicativos adicionais;
- Configurar drivers;
- Ajustar aparência;
- Acessar wiki e comunidade.
Esse cuidado com a experiência inicial transmite a sensação de que o projeto quer reduzir barreiras para o usuário final.

Público-alvo bem definido
O Pika OS quer simplesmente simplificar o acesso aos jogos no Linux sobre uma das bases mais estáveis e bem documentadas. Usuários avançados podem argumentar que é possível montar manualmente o mesmo ambiente em qualquer distro. E isso é verdade. Mas a proposta aqui é outra: economia de tempo, conveniência e menor fricção.
Para quem quer apenas instalar o sistema e jogar, o Pika OS cumpre o que promete. Ele reduz etapas, centraliza ferramentas e entrega um ambiente pronto.
Mas claramente não é a única distro com essa proposta. Uma alternativa que se tornou bastante popular é o Bazzite.