Uma ferramenta de programação baseada em inteligência artificial da Amazon esteve no centro de uma interrupção de serviços na nuvem da companhia no fim de 2025, segundo relato de fontes ouvidas pelo Financial Times. A empresa, porém, contesta a versão e afirma que o episódio decorreu de erro humano, não de decisão autônoma do sistema.
O serviço afetado foi o AWS Cost Explorer, ferramenta usada por clientes para visualizar e gerenciar gastos na nuvem. A interrupção teria durado cerca de 13 horas em uma das duas regiões da empresa na China continental. Segundo as fontes, engenheiros internos permitiram que o Kiro, plataforma de “agentic coding” lançada pela Amazon, realizasse alterações no ambiente de produção.
O que é o Kiro
Apresentado como um sistema capaz de transformar comandos em especificações técnicas e depois em código funcional, o Kiro foi desenhado para levar aplicações criadas por “vibe coding” ao ambiente corporativo. A proposta é automatizar etapas do desenvolvimento, reduzindo o tempo entre a ideia e a implementação.
A Amazon divulgou o produto como uma resposta a falhas já registradas em outras ferramentas de IA, que chegaram a apagar bancos de dados ou sobrescrever partições inteiras. No caso relatado, o Kiro teria optado por “excluir e recriar o ambiente”, decisão que acabou por provocar a indisponibilidade.
Versões em disputa
Em nota enviada à imprensa, a Amazon afirmou que o incidente foi “extremamente limitado” e resultado de “controles de acesso mal configurados” por um funcionário. Segundo a empresa, o sistema exige autorização para executar ações críticas e, por padrão, não opera irrestritamente.
A companhia sustenta que apenas o Cost Explorer foi afetado, sem impacto sobre serviços de computação, armazenamento, bancos de dados ou ferramentas de IA. Após o episódio, teriam sido implementadas salvaguardas adicionais, incluindo revisão obrigatória por pares antes de alterações em produção.
O ponto central da divergência está na autonomia concedida ao sistema. Para críticos, mesmo que o erro tenha origem humana, o caso evidencia os riscos de permitir que agentes automatizados operem com permissões amplas em ambientes sensíveis.
O episódio se soma a uma lista crescente de incidentes envolvendo agentes de IA que executam tarefas sem supervisão direta. Há registros de sistemas que entraram em loops ao interagir com APIs e de ferramentas que extrapolaram o escopo previsto de atuação.
Desde o lançamento, o Kiro também enfrentou desafios operacionais. A alta demanda levou a Amazon a impor limites diários de uso e a criar uma lista de espera. Usuários relataram ainda falhas no modelo de cobrança, descritas em fóruns como potencialmente onerosas.
Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!