Existe uma pergunta que sempre surge quando chega o período de descanso: as férias começam mesmo quando paramos? Para muita gente, especialmente os “workaholics de plantão”, férias não são exatamente sinônimo de inatividade. São, na verdade, uma troca de prioridades. Sai a rotina obrigatória, entram interesses que estavam encostados há meses.

É nesse intervalo que hobbies esquecidos reaparecem. Um violão tirado do apoio após meses. Um livro que estava parado na metade. Ou aquele jogo que você sempre quis terminar, mas nunca encontrava tempo. As férias não são ausência de atividade, são uma reorganização do foco.

O tempo é curto, os interesses são muitos

A vida adulta impõe um dilema simples e cruel: só temos 24 horas por dia. Entre trabalho, compromissos, família e responsabilidades, sobra pouco espaço para cultivar interesses pessoais. Jogar videogame, que já foi hábito diário na adolescência, muitas vezes vira um evento raro.

Quando finalmente surge um tempo mais livre, ele se torna uma oportunidade de revisitar essas paixões. Não necessariamente para maratonar lançamentos, mas para recuperar o prazer de jogar sem pressa. Sem metas, sem competição, sem ansiedade.

Foi assim que o Dio redescobriu o prazer de jogos como Stardew Valley. Um jogo pacífico, de ritmo próprio, quase meditativo. Plantar virtualmente, organizar a fazenda, conversar com personagens, atividades simples que ajudam a silenciar o ruído mental acumulado.

Em dispositivos como o Steam Deck, essa experiência ganha um caráter ainda mais íntimo. Jogar no sofá, na cama ou em um canto tranquilo da casa transforma o ato de jogar em algo mais pessoal, menos performático.

Ao mesmo tempo, os jogos multiplayer continuam tendo seu espaço. Títulos como Valorant funcionam quase como o “futebol de sábado” com os grupos de amigos.

Mas férias também são terreno fértil para enfrentar o backlog. Aqueles jogos longos, narrativos, que exigem dedicação. Um exemplo clássico é Horizon Zero Dawn. Nem sempre ele conquista de imediato. Às vezes a primeira hora parece lenta, quase arrastada.

É parecido com começar um livro denso. As primeiras páginas constroem a base, apresentam o mundo, desenvolvem personagens. Se a gente abandona cedo demais, perde a recompensa que vem depois. Persistir pode transformar a percepção completamente.

Quando a engrenagem narrativa finalmente encaixa, o jogo revela sua força: uma ambientação impressionante, história envolvente, direção artística marcante. Não é raro que títulos assim acabem figurando entre os mais memoráveis que alguém já jogou.

Multiplayer ou single player?

Existe também uma mudança natural ao longo da vida gamer. Muitos começam nos FPS competitivos, clãs, campeonatos e horas investidas em jogos online. Com o tempo, o interesse pode migrar para experiências mais introspectivas, focadas em narrativa e atmosfera.

Curiosamente, para alguns, acontece o inverso: o multiplayer vira a desculpa para continuar jogando. Se os amigos param, o interesse diminui. O jogo é meio; a amizade é o fim.

O equilíbrio entre essas duas formas de jogar — social e solitária — varia conforme a fase da vida. As férias, nesse contexto, funcionam como laboratório. É quando se testa novamente o que ainda faz sentido.

Outro elemento que entrou na equação nos últimos anos foi a consolidação do Linux como plataforma viável para jogos. Com o avanço do Steam e tecnologias de compatibilidade, muitos jogadores passaram a utilizar distribuições Linux no dia a dia sem abdicar da jogatina.

O que as férias realmente ensinam

No fim das contas, as férias não servem apenas para descansar. Servem para recalibrar. Para perceber que certos hobbies ainda fazem sentido. Para entender que alguns jogos exigem paciência. Para redescobrir que jogar sozinho pode ser tão prazeroso quanto jogar em grupo.

Talvez a maior lição seja essa: não é importante zerar dezenas de títulos ou bater recordes de horas jogadas. O que queremos é reencontrar o prazer simples de sentar, ligar o console ou PC e lembrar por que você começou a jogar lá atrás. E, às vezes, isso já é mais do que suficiente.

Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista na íntegra ao episódio onde conversamos sobre nosso período de pausa e do que acabou surgindo quando a pressão diminuiu.