Usar o Google virou algo tão automático que a gente nem percebe mais. “Googlar” deixou de ser apenas uma referência à empresa e passou a significar pesquisar qualquer coisa na internet. Poucas marcas conseguiram esse feito. Mas será que isso acontece porque ele é realmente imbatível ou porque a gente simplesmente se acostumou?

Essa dúvida nos levou a um pequeno experimento: testar 17 buscadores diferentes, usar cada um deles em situações reais do (nosso) dia a dia e tentar responder uma pergunta simples — existe vida além do Google?

No meio do caminho percebemos que a discussão não é tão simples quanto parece.

O que realmente define um bom buscador?

Quando perguntamos aos membros o que faz um buscador ser bom, as respostas foram divididas, mas o fator comum foi “dar uma boa resposta”. Parece óbvio. E ao mesmo tempo, é muito amplo.

Boa resposta para quem? Em que contexto? Você quer um link específico? Uma explicação rápida? Um vídeo? Um placar de jogo em tempo real? Um resumo feito por inteligência artificial? Dependendo da intenção da busca, a expectativa muda completamente.

No fim das contas, duas coisas aparecem quase sempre como critério: rapidez e precisão. O buscador ideal é aquele que entende o que você quer antes mesmo de você formular perfeitamente a pergunta.

E é aqui que entram as camadas mais recentes da disputa: os resumos por IA. Muita gente reclama deles, mas é difícil negar que, em várias situações, eles resolvem o problema em segundos. A questão é se isso melhora ou empobrece a experiência da web como um todo.

Nem todo buscador é realmente independente

Uma das primeiras coisas que ficou clara durante os testes é que muitos buscadores não possuem índice próprio da internet. Manter um índice global atualizado é absurdamente caro. Não é à toa que gigantes como Google e Microsoft, através do Bing, dominam esse espaço há décadas.

Vários serviços funcionam como intermediários. Alguns são metabuscadores, outros são camadas de privacidade por cima de resultados do Google ou do Bing. Existem também opções regionais, como o Baidu na China ou o Yandex na Rússia, com enorme relevância local, mas não competem globalmente da mesma forma.

Existe vida além do Google Testamos 17 buscadores para descobrir (1)

Após filtrar as opções que eram basicamente variações da mesma base, focamos em alguns nomes mais interessantes: Google, Bing, DuckDuckGo, Brave com o Brave Search, Kagi e Startpage.

Cada um deles representa uma filosofia diferente sobre o que significa pesquisar na internet.

Quando a busca é simples, a diferença aparece nos detalhes

Em buscas genéricas de marca, como pesquisar por um site ou empresa específica, Google e Bing mostraram um nível de organização visual muito refinado. Painéis laterais, links consolidados, informações resumidas e bem estruturadas. Existe uma sensação de que o buscador já sabe exatamente o que você quer encontrar.

Existe vida além do Google Testamos 17 buscadores para descobrir (6)

DuckDuckGo e Startpage entregaram resultados corretos, mas sem a mesma sofisticação visual. Brave e Kagi também foram consistentes, embora menos “polidos” na apresentação.

Nessas situações, todos funcionam. A diferença não está em acertar ou errar, mas na experiência.

Quando existe uma resposta certa

Em buscas como “documentação Docker”, a expectativa é ver o site oficial no topo. Aqui, simplicidade é virtude.

Google e Kagi colocaram o link correto imediatamente, sem rodeios. Bing trouxe resultados corretos, mas misturados com vídeos e conteúdos adicionais que nem sempre eram necessários. Brave apresentou um resumo por IA antes do link principal, o que pode ser útil para quem quer contexto, mas dispensável para quem já sabe exatamente o que procura. O DuckDuckGo apresentou dois links patrocinados pouco relevantes para uma busca sem intenção de compra antes de mostrar o resultado.

Existe vida além do Google Testamos 17 buscadores para descobrir (5)

Esse tipo de teste deixa claro que o excesso de recursos nem sempre melhora a experiência. Às vezes, o melhor buscador é aquele que simplesmente não atrapalha.

Quando não existe resposta única

Já em algo como “receita de bolo de cenoura”, não há um único resultado correto. Aqui entram preferências pessoais, popularidade de sites e até apelo visual.

O Google priorizou portais tradicionais com fotos chamativas. O Brave gerou uma receita estruturada por IA diretamente na página de resultados. O Startpage trouxe muitos anúncios antes de chegar aos conteúdos principais. Cada um seguiu uma lógica diferente.

Curiosamente, com a presença da IA, você pode simplesmente aceitar a primeira resposta sintetizada que aparece, que parece ser uma média da receita de alguns sites.

Existe vida além do Google Testamos 17 buscadores para descobrir (4)

Informação em tempo real

Quando a busca envolve algo como “resultado do último jogo do Liverpool”, a diferença de infraestrutura fica evidente.

Google e Bing exibiram placar, estatísticas e contexto imediatamente. Não foi necessário clicar em nada. Nos outros buscadores, foi preciso abrir links externos para obter a informação completa.

Esse tipo de cenário mostra que manter integração com dados em tempo real exige uma estrutura robusta e isso ainda é território dominado por gigantes.

Existe vida além do Google Testamos 17 buscadores para descobrir (3)

Saúde e responsabilidade

Em buscas relacionadas a saúde, como “como curar um resfriado”, a organização da informação faz diferença. Google e Bing apresentaram resumos com fontes médicas reconhecidas e orientações gerais bem destacadas. Brave seguiu uma linha semelhante.

Outros buscadores priorizaram links e anúncios antes de conteúdos informativos mais estruturados. Em temas sensíveis, a forma como a resposta é apresentada importa tanto quanto a resposta em si.

Nenhum substitui orientação profissional, mas a responsabilidade na curadoria é um ponto relevante.

Existe vida além do Google Testamos 17 buscadores para descobrir (2)

E quando a busca é paga?

O Kagi chama atenção por ser um buscador pago, sem anúncios, com mais privacidade e maior controle sobre os resultados.

Na prática, os resultados não foram dramaticamente superiores aos gratuitos. A diferença está mais no modelo de negócio do que na qualidade pura da busca. Você paga para não ser o produto.

O Brave oferece um meio-termo interessante, com opção gratuita e versão paga sem anúncios, mantendo um índice próprio. Para quem prioriza privacidade, pode ser um caminho equilibrado.

O veredito desconfortável

Se a análise for puramente pragmática, focando em qualidade e consistência de resultados, o Google ainda entrega o conjunto mais sólido. Ele funciona bem em praticamente todos os cenários testados. Organiza melhor, integra mais dados e entende melhor intenções ambíguas.

Mas isso não significa que seja a única opção viável.

O Brave Search evoluiu muito e já se sustenta como alternativa real. O Kagi tem uma proposta interessante para quem quer fugir completamente do modelo baseado em anúncios. Startpage e DuckDuckGo continuam sendo escolhas válidas para quem quer mais privacidade sem abandonar completamente a infraestrutura das gigantes.

Talvez a pergunta não seja se existe vida além do Google. Existe, sim. A pergunta mais honesta talvez seja outra: você está disposto a abrir mão de um pouco de conveniência em troca de mais controle e privacidade?

Seguindo o embate “Conveniência versus privacidade na internet”, conheça o novo motor de navegação que está sendo feito do zero para resgatar as origens da web!