Jeff Mahoney, vice-presidente de Engenharia de Sistemas Linux da SUSE, publicou um rascunho de proposta de governança para o openSUSE. O documento é explicitamente não vinculante e tem como objetivo iniciar uma discussão comunitária sobre como decisões são tomadas dentro do projeto, especialmente diante de impasses recorrentes e do crescimento da sua complexidade técnica e organizacional.
Segundo Mahoney, o openSUSE deixou de ser apenas uma distribuição tradicional para se tornar um ecossistema amplo, que envolve uma distro rolling release, múltiplos downstreams, infraestrutura compartilhada e uma comunidade global de contribuidores. Apesar disso, muitos processos decisórios ainda dependem de acordos informais, o que pode gerar bloqueios prolongados, fadiga de colaboradores e decisões guiadas mais por persistência do que por consenso documentado.
O que a proposta pretende resolver
O rascunho parte de uma crítica direta ao modelo atual de “governança implícita”, no qual a autoridade e a influência muitas vezes surgem de dinâmicas sociais pouco claras. Conforme o texto, isso dificulta a participação de novos contribuidores e torna decisões estratégicas imprevisíveis.
A proposta não altera o papel do atual openSUSE Board, nem seu estatuto. Em vez disso, sugere a criação de estruturas complementares, com responsabilidades bem definidas, mandatos limitados e funcionamento transparente, buscando reduzir ambiguidades e sobreposição de poder.
Mahoney enfatiza que o objetivo não é centralizar decisões nem impor resultados técnicos, mas criar processos legítimos e visíveis para o projeto conseguir avançar mesmo quando o consenso não é alcançado.
O documento sugere a criação de dois novos órgãos eleitos pela comunidade:
- Technical Steering Committee (TSC): responsável por fornecer uma direção técnica em nível de projeto, manter roadmaps técnicos e atuar como instância final de arbitragem quando discussões técnicas entram em impasse;
- Community & Marketing Committee (CMC): focado no crescimento da comunidade, onboarding, eventos, comunicação externa e na saúde dos espaços de interação comunitária.
Ambos os comitês teriam atuação pública, com decisões documentadas, publicação de justificativas e limites claros de autoridade para evitar conflitos com o Board ou com mantenedores individuais.
Infraestrutura e autonomia dos mantenedores
Outro ponto relevante do rascunho é a tentativa de dar mais visibilidade e previsibilidade à gestão de infraestrutura, hoje mantida em grande parte por voluntários. A proposta preserva o caráter voluntário desse trabalho, mas sugere canais mais claros de comunicação e escalonamento quando problemas afetam todo o projeto.
Ao mesmo tempo, o texto reforça que mantenedores não perdem autonomia. O TSC não teria poder para forçar contribuições ou impor trabalho não remunerado. Seu papel seria garantir que o projeto não fique indefinidamente bloqueado, buscando alternativas quando um consenso não é possível.
Mahoney convida a comunidade a criticar, sugerir mudanças e propor alternativas. O documento será revisado com base nas discussões antes de qualquer consideração formal pelo openSUSE Board.
Conforme o próprio autor, trata-se de um ponto de partida, um esforço para substituir uma governança informal por processos claros, legítimos e transparentes, acompanhando a maturidade e a escala que o openSUSE alcançou ao longo dos anos.
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