A Microsoft recentemente anunciou a descontinuação dos Management Packs (MPs) do System Center Operations Manager (SCOM) para SQL Server Reporting Services, Power BI Report Server e SQL Server Analysis Services.
Embora isso afete um subconjunto relativamente pequeno de usuários do SQL Server, a mudança pode forçar algumas organizações a adotar soluções de monitoramento que expõem seus servidores locais aos auditores de licenciamento da Microsoft, como apontou um analista ao portal The Register.
Consequências de longo alcance
Os Management Packs afetados permanecerão disponíveis até janeiro de 2027, após o que não terão mais suporte. “Nenhuma nova atualização será lançada, incluindo nenhum suporte para SQL Server 2025 ou SCOM 2025”, disse o comunicado. A Microsoft afirmou que os produtos não terão mais MPs oficiais do SCOM.
O SCOM é uma ferramenta de gerenciamento popular para os produtos de servidor on-premises da Microsoft, suportando não apenas SQL Server, mas também Exchange, Windows e SharePoint para gerenciar atualizações, mudanças de segurança e patches.
A descontinuação significa que os pacotes de gerenciamento existentes seguirão funcionando no SCOM 2019 e SCOM 2022, mas nenhum novo recurso, correção ou atualização de segurança será fornecido. E a compatibilidade com versões posteriores não pode ser garantida.
A recomendação oficial
O gigante do software recomendou aos usuários afetados que planejem sua migração para soluções de monitoramento baseadas no Azure, usando Azure Monitor, Azure Arc e Log Analytics. Isso cria “uma alternativa unificada que oferece ingestão de telemetria centralizada, alertas, monitoramento de desempenho e dashboarding para ambientes híbridos e locais”, alegou a fornecedora.
Andrew Snodgrass, analista da Directions on Microsoft, disse que a empresa vem ignorando o SCOM há algum tempo e que ele aconselhava os clientes a se afastarem dele. “Encontre um terceiro se quiser permanecer on-prem, mas a Microsoft vai começar a matar isso lentamente”, disse ele ao The Register.
Com a alternativa Azure, os clientes não podem mais baixar atualizações diretamente; só podem fazê-lo através do Azure Arc e, no processo, precisam registrar seus servidores locais no Azure.
O dilema do controle versus visibilidade
Snodgrass disse que a plataforma de monitoramento do Azure oferece algumas “coisas muito legais” para gerenciar um parque de SQL Servers, especialmente para usuários híbridos. “O que ela exige é que – bastante razoavelmente – você instale um agente no seu servidor físico ou no seu servidor virtual, seja ele na AWS, no Azure ou local. Este é o agente de monitoramento do Azure Arc que vai rodar localmente e vai se conectar ao Azure”, explicou.
Do ponto de vista de gerenciamento, funciona bem, acrescentou Snodgrass, porque os administradores podem usar um único sistema de gerenciamento Azure SQL e ver todos os servidores e bancos de dados, independentemente do ambiente.
Embora a Microsoft não tenha dado nenhuma indicação de que os dados poderiam ser usados para algo além do gerenciamento de software, os usuários devem estar cientes de que há potenciais implicações quando se trata de gerenciamento de licenças.
“Se você usar o Azure SQL para gerenciar todas essas implantações, onde quer que estejam, seja localmente, na AWS ou no Azure, então você está registrando cada um dos seus SQL Servers no Azure. Essa lista vai existir. Não significa que a Microsoft necessariamente usaria, mas se uma auditoria surgir, eles certamente poderiam dizer: ‘Sabe de uma coisa, você tem toda essa lista aqui, e nós olhamos a contagem de licenças que você comprou da gente, e você não tem licenças suficientes para cobrir todos esses servidores que implantou’”, alertou Snodgrass.
O especialista aconselha os clientes a terem uma visão clara do número de SQL Servers em produção e daqueles usados para desenvolvimento antes de negociar com a Microsoft sobre licenças e, por extensão, antes de migrar seu monitoramento para as ferramentas nativas do Azure.
A estratégia da Microsoft é consolidar o gerenciamento dentro do seu ecossistema de nuvem. Para os clientes, a conveniência de uma ferramenta unificada vem com um custo potencial de transparência total perante o fornecedor. Em um mundo cada vez mais híbrido, a linha entre gerenciamento eficiente e exposição excessiva ao fornecedor se torna tênue. A decisão de migrar não é mais apenas técnica ou financeira, mas também estratégica e de governança.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!