Há mais de 19 anos no mercado, o BigLinux é uma das distribuições brasileiras mais conhecidas, sempre focada no público doméstico que busca um sistema completo para trabalho, estudo e até jogos. Tradicionalmente baseado no Manjaro com KDE Plasma, o projeto expandiu suas opções com o BigLinux Community, uma iniciativa que oferece versões com GNOME, XFCE e Cinnamon. Neste artigo, exploramos a experiência com a versão GNOME, desde o download até as primeiras impressões.

Primeiro Contato: site e download

O site do BigLinux Community apresenta-se com um design limpo e informações bem organizadas, explicando que o projeto surgiu de uma demanda da comunidade por alternativas ao ambiente Plasma. Desenvolvido por sete voluntários, a iniciativa demonstra a força colaborativa do software livre nacional. O processo de download da ISO, que ocupa aproximadamente 4.5 GB, é disponibilizado através do Google Drive e SourceForge. Esta escolha de plataformas de hospedagem parece prática para a distribuição de arquivos grandes, embora possa transmitir uma imagem um tanto amadora.

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A página web detalha os requisitos mínimos do sistema e fornecer a senha padrão “big” para uso no modo live. A interface do instalador live carrega rapidamente com uma animação visual, oferecendo opções de inicialização com drivers proprietários ou open source, adaptando-se a diferentes configurações de hardware.

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Jogando Pac-Man enquanto o sistema instala

O processo de instalação combina ferramentas customizadas com o conhecido instalador Calamares. A tela inicial oferece três caminhos: instalação completa para quem deseja tudo pronto para uso imediato, instalação mínima para quem prefere personalizar posteriormente, e um modo de manutenção que permite reparar sistemas existentes sem necessidade de reinstalação completa.

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Durante a cópia dos arquivos, um easter egg permite jogar Pac-Man enquanto o sistema é instalado, transformando um momento tradicionalmente monótono em uma experiência divertida. O instalador recomenda Btrfs como sistema de arquivos padrão, complementado pelo gerenciamento dinâmico de swap via zram.

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GNOME customizado e funcional

Ao iniciar o sistema pela primeira vez, alguns detalhes visuais chamam a atenção. Animações personalizadas durante o processo de boot e login criam uma experiência e polida. O GNOME 48, versão mais recente disponível no momento dos nossos testes, apresenta customizações que respeitam a filosofia original do ambiente enquanto agregam valor visual e funcional.

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Os temas e ícones personalizados da família “Big Linux” oferecem variações de cor, enquanto os ícones Papirus modificados mantêm consistência visual. A escolha tipográfica pela Noto Nerd Font difere da padrão do GNOME, mas oferece boa legibilidade. 

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O conjunto de extensões pré-instaladas inclui o AppIndicator and KStatusNotifierItem Support (que nome imenso!) para compatibilidade com aplicações Qt, o Blur My Shell para efeitos visuais, o GS Connect para integração com dispositivos Android e o Pano para gerenciamento avançado de área de transferência.

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Aplicativos pré-instalados

A seleção de software pré-instalado na versão completa do BigLinux GNOME revela uma filosofia de “quase tudo pronto”. As ferramentas originais BigLinux constituem uma suite de utilitários, incluindo um gerenciador de drivers, analisador de hardware e criador de web apps. Para multimídia, o Celluloid se destaca como player de vídeo, complementado por um conversor de vídeo integrado que atende necessidades básicas de edição.

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Na área de produtividade, o LibreOffice completo acompanha uma ferramenta OCR para PDFs que demonstra pensamento voltado ao usuário acadêmico e profissional. Gamers apreciarão o Steam pré-instalado, enquanto a configuração prévia de web apps para serviços populares como WhatsApp, Telegram e Spotify oferece funcionalidade imediata.

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Entretanto, alguns excessos chamam atenção. A inclusão de cinco aplicativos diferentes relacionados a impressão, com foco específico em dispositivos HP, parece desproporcional considerando que muitos usuários modernos sequer possuem impressoras. A redundância de dois players de vídeo distintos (Celluloid e MPV) e a presença de ferramentas de configuração avançada como o Editor dconf podem confundir usuários iniciantes.

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O sistema demonstra notável eficiência em termos de espaço, ocupando apenas 4.5 GB após a instalação completa. Sendo baseado no Manjaro/Arch Linux, oferece acesso privilegiado aos vastos repositórios AUR e ao modelo de atualizações rolling release que mantém o sistema permanentemente atualizado. O kernel 6.12.37 oferece compatibilidade abrangente com hardware recente, enquanto a arquitetura Btrfs com snapshots automáticos proporciona segurança adicional contra falhas do sistema.

Durante os testes, o sistema mostrou-se responsivo e estável, com tempos de boot competitivos e consumo moderado de recursos.

Uma boa opção para usuários brasileiros

O BigLinux Community GNOME surpreende pela maturidade e atenção aos detalhes, representando um marco significativo no desenvolvimento de distribuições brasileiras. A customização do GNOME é executada com equilíbrio suficiente para criar uma identidade visual distintiva sem descaracterizar a experiência original do ambiente desktop. A seleção de aplicativos, embora pontuada por algumas escolhas questionáveis, parece cobrir competentemente as necessidades do usuário médio brasileiro.

Entre seus pontos fortes mais notáveis destacam-se o processo de instalação intuitivo que ainda assim oferece opções avançadas, a curadoria geral de software, as customizações que agregam valor genuíno sem cair em excessos, e a documentação em português que facilita a adoção por usuários menos experientes.

Para usuários brasileiros que buscam uma distribuição com suporte nativo, documentação em português e comodidade imediata, o BigLinux Community GNOME representa uma opção sólida.E falando em distro Linux brasileira, conheça o TigerOS!