O cenário corporativo do open source acaba de ganhar um novo capítulo estratégico. A SUSE, empresa alemã focada em soluções Linux e Cloud, anunciou a nomeação de Margaret Dawson como sua nova diretora de marketing (CMO). A movimentação é um passo na direção que a SUSE pretende tomar para amplificar sua voz em um mercado cada vez mais competitivo e consolidar sua posição como líder em soluções empresariais de código aberto.

Um currículo sob medida

Dawson chega à SUSE carregando um currículo que, segundo análise do portal Foss Force, parece quase sob medida para os desafios atuais da empresa. Sua experiência mais recente foi como CMO na Chronosphere, uma empresa que comercializa uma plataforma de observabilidade para infraestruturas cloud native – domínio que está no cerne da estratégia de produtos da SUSE. Antes disso, ela acumulou quase um ano e meio na Apptio (adquirida pela IBM), onde ocupou vários cargos simultaneamente, incluindo o papel de Chief of Staff para o CEO.

No entanto, é sua passagem de mais de seis anos pela Red Hat que realmente ressoa como um trunfo para seu novo papel. Dawson participou ativamente de uma das transformações mais significativas no mundo do open source empresarial: a aquisição da Red Hat pela IBM. Ela ingressou na empresa três anos antes do anúncio da compra e, em meio à transição corporativa, ascendeu rapidamente. Foi promovida a Chief Digital Officer e, posteriormente, a Chief of Staff no escritório do CEO, além de Vice-Presidente de Diversidade e Inclusão.

Essa experiência num ecossistema que navegou com sucesso a linha tênue entre a cultura comunitária do open source e as demandas rigorosas do mercado enterprise pode ter feito a diferença para sua contratação. Em um comunicado sobre sua nova posição, Dawson afirmou: “Estou animada em retornar ao mundo do open source para aprofundar nossos relacionamentos com clientes e parceiros, amplificar nossa voz no mercado e gerar impacto comercial mensurável. A oportunidade de mercado da SUSE é massiva. Enquanto ela completa 33 anos como líder em software empresarial de código aberto, estou otimista sobre seu futuro.”

Visibilidade e conexões

A nomeação de Dawson aborda diretamente uma das maiores lacunas da SUSE na última década: a visibilidade. Após quase duas décadas sob gestões consideradas pouco inspiradas, passando por empresas como Novell, Attachmate e Micro Focus (entre 2004 e 2019), a SUSE recuperou sua independência, mas continua a lutar para projetar sua força no mercado. Isso é um paradoxo, dado seu portfólio técnico robusto.

A empresa possui uma stack cloud native altamente respeitada, que combina o SUSE Linux Enterprise Server (SLES) com a expertise em Kubernetes do Rancher, uma aquisição que lhe deu credibilidade instantânea no mundo dos contêineres. Mais recentemente, a SUSE tem avançado agressivamente no campo de IA com sua plataforma SUSE AI, anunciada como uma solução enterprise-grade, cloud-native para cargas de trabalho de IA generativa, com ênfase em segurança, observabilidade, flexibilidade e liberdade de vendor lock-in. Uma parceria recente com a Avesha, focada em GPU elástica, só reforça essa ambição.

O problema nunca foi a qualidade do produto, mas sim a capacidade de contar essa história para os tomadores de decisão certos: os executivos de TI de grandes empresas. É aí que a experiência de Dawson na Chronosphere, onde ela construiu relações com esse mesmo público, se torna um trunfo.

Red Hat, localização e liderança

Além da experiência de mercado, outras sinergias estratégicas saltam aos olhos. Tanto Dawson quanto o atual CEO da SUSE, Dirk-Peter van Leeuwen, são ex-Red Hatters. Van Leeuwen passou quase 19 anos na empresa. Essa experiência compartilhada lhes dá uma compreensão íntima do que funcionou, o que não funcionou e como navegar no complexo relacionamento entre uma cultura de open source e uma estrutura corporativa. Ambos viram a Red Hat ir de “milagre enterprise do open source” às rédeas da IBM, uma lição que certamente moldará sua estratégia para manter a SUSE ágil e independente.

O fato de Dawson estar estabelecida na área de Puget Sound (Seattle) é outro trunfo. Seattle, além de ser um epicentro de startups cloud-native, também abriga gigantes como Amazon Web Services, Microsoft Azure e um campus significativo do Google Cloud. Ter uma CMO nesse ecossistema facilita a construção de pontes com parceiros estratégicos. Além disso, Seattle atua hoje como um conector para os mercados asiáticos.

Em um comunicado, Van Leeuwen afirmou: “À medida que a demanda por escolha entre clientes empresariais cresce, a SUSE nunca esteve tão bem posicionada para liderar. Com um histórico de dimensionamento de marcas de tecnologia e transformação do marketing em um verdadeiro motor de crescimento, confio na experiência de Margaret para acelerar nossa liderança global e capitalizar este momento.”

Dawson aparentemente substitui Ivo Totev, que ocupou o cargo de CMO por pouco mais de dois anos. O destino de Totev na empresa ainda não foi divulgado, marcando mais uma virada de página na contínua reestruturação da SUSE para se afirmar como uma força independente e inovadora no palco global do open source empresarial.

Tudo isso parece incrível! Então se o foco é marketing, que tal dar mais uma atenção ao site do openSUSE?