Um projeto brasileiro vem chamando a atenção da comunidade Linux por sua proposta inovadora e acessível: o Linux Toys, um conjunto de ferramentas desenvolvidas para simplificar e potencializar a experiência do usuário. Entre utilitários de otimização, tweaks de sistema e soluções inteligentes, uma ferramenta se destaca: o LSW, uma forma criativa de rodar programas de Windows em distros Linux.
O que é o LSW?
O LSW (uma reversão de “WSL”) é uma implementação engenhosa que permite executar um contêiner Docker com Windows diretamente dentro do Linux, funcionando como um hipervisor integrado.
Diferente de uma máquina virtual tradicional, o LSW foi projetado para oferecer duas modalidades de uso:
- Modo Standalone: Executa o Windows em uma janela isolada, perfeito para quem quer acesso rápido ao sistema operacional da Microsoft;
- Modo Integrado com o WinApps: Oferece uma experiência profundamente integrada, onde aplicativos Windows são executados em seu sistema nativo, mas abrem como janelas comuns no seu desktop Linux.
A sensação é de magia: você clica no ícone do Microsoft Word no seu menu de aplicativos do Linux, e ele abre rodando em um Windows real em segundo plano, reduzindo o peso de uma VM convencional.
A grande inovação do LSW não está apenas no conceito, mas na acessibilidade. Configurar um contêiner Docker com Windows manualmente é uma tarefa com vários passos não muito intuitivo. O LSW reduz a complexidade com uma interface amigável que guia o usuário passo a passo.
A ferramenta faz cálculos inteligentes nos bastidores para garantir a melhor desempenho. Ela analisa o hardware do seu sistema e, por exemplo, aloca automaticamente metade dos threads da CPU para o hipervisor, desde que isso resulte em pelo menos dois cores. Para a memória RAM, ele reserva um terço da disponível, com um limite máximo de 16 GB, garantindo que o sistema principal continue responsivo.
O armazenamento é alocado dinamicamente, ou seja, o espaço no disco é consumido apenas conforme o Windows e seus aplicativos forem efetivamente usando, evitando desperdício.
Controle simplificado
Um dos maiores desafios era tornar a gestão do contêiner acessível para o público-alvo: profissionais de áreas como jurídico (que dependem do PJe Office e certificados digitais), designers que precisam do Adobe Photoshop, ou usuários obrigados a usar o Microsoft Office.
Essas pessoas geralmente não sabem (e não precisam saber) comandos do Docker. A solução foi criar scripts que transformam operações complexas em simples atalhos.
Rumo aos sistemas imutáveis
Atualmente, o LSW funciona perfeitamente em distribuições baseadas em Debian e Ubuntu. O suporte para Fedora era um desafio devido às políticas do SELinux, atualmente, o desafio foi superado e o software está compatibilizado.
O futuro do projeto é ainda mais ambicioso: a próxima versão, Linux Toys Atom, está sendo desenvolvida para trazer todas essas ferramentas poderosas para sistemas imutáveis baseados em Fedora, como Silverblue e Kinoite, ampliando ainda mais seu alcance.
Não é exagero dizer que o Linux Toys é um projeto que democratiza o poder do Linux. Ele pega otimizações avançadas e as torna disponíveis de forma segura e fácil para qualquer distribuição, equilibrando o campo de jogo em termos de desempenho e capacidade. Vale a pena conferir o projeto no GitHub!Este conteúdo é um corte do Diocast. Assista na íntegra o episódio onde falamos sobre o Linux Toys, suas ferramentas e o futuro do projeto. A conversa completa revela ainda mais detalhes fascinantes sobre essa iniciativa que está tornando o Linux mais acessível e poderoso para todos.