O desenvolvimento do kernel Linux nunca foi um mar de rosas, e a janela de merge para a versão 6.17 não foi exceção. Desta vez, o alvo da ira de Linus Torvalds foram os patches para a arquitetura RISC-V, descritos por ele como “lixo” e rejeitados em um dos seus já tradicionais e inflamados e-mails.

O que aconteceu?

Palmer Dabbelt, mantenedor do RISC-V no kernel Linux, enviou uma série de patches para inclusão na versão 6.17. O problema é que eles chegaram tarde demais, bem no final da janela de merge, quando Linus já havia pedido submissões antecipadas.

Mas não foi só o atraso que irritou o criador do Linux. Os patches incluíam mudanças em arquivos de cabeçalho genéricos, algo que Linus considera inaceitável quando não diretamente relacionado ao RISC-V. Em suas palavras:

“Isso é lixo, e veio tarde demais. Se não conseguem seguir a regra de enviar cedo, pelo menos enviem algo bom.”

A polêmica do “make_u32_from_two_u16()”

Entre os alvos específicos da crítica estava uma função auxiliar chamada make_u32_from_two_u16(), que Linus considerou completamente desnecessária. Segundo ele, escrever (a << 16) + b é muito mais claro e evita confusão sobre a ordem dos bits.

“Se você escreve make_u32_from_two_u16(a, b), não tem a mínima ideia de qual palavra fica em qual posição. Parabéns, você só piorou as coisas.”

Diante da reprimenda, Palmer se desculpou e admitiu que vinha acumulando atrasos, o que levou a erros. Prometeu enviar os patches mais cedo na próxima janela de merge (6.18) e evitar mudanças desnecessárias em arquivos genéricos.

Os patches do RISC-V terão que esperar até a próxima versão do kernel. Enquanto isso, a comunidade pode acompanhar a discussão completa na lista de e-mails do kernel.

Se há uma lição a ser aprendida aqui, é que nunca se deve irritar o Linus Torvalds com código confuso e submissões tardias. 

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