A inteligência artificial está evoluindo rapidamente, mas tem um problema: os agentes de IA de diferentes empresas nem sempre se falam. É como colocar um torcedor do Flamengo e um do Vasco no mesmo elevador: ambos são humanos, mas a comunicação é complicada. Felizmente, a Cisco decidiu dar um presente para a comunidade: o projeto AGNTCY, agora sob os cuidados da Linux Foundation.
O problema de comunicação da IA
Atualmente, cada empresa cria seus agentes de IA com protocolos diferentes. O resultado são sistemas tão compatíveis quanto WhatsApp e Telegram, ambos são mensageiros, mas não conversam entre si.
Para ajudar a resolver este problema, a Cisco doou o AGNTCY (a pronúncia é simplesmente agency, em inglês), um ecossistema completo para descoberta e comunicação entre agentes, num movimento similar ao Google, que contribuiu com o Agent2Agent (A2A), seu protocolo para interação entre IAs. Juntos, eles formam a base do que pode se tornar o “TCP/IP dos agentes inteligentes”.
O AGNTCY conta com quatro funcionalidades principais:
- Descoberta: Um “DNS para IAs” onde agentes podem se encontrar;
- Identidade: Evita que, por exemplo, um bot da Microsoft se passe por um da Oracle (sim, até IAs podem sofrer golpes);
- Mensagens (SLIM): Protocolo de comunicação seguro até contra computadores quânticos;
- Observabilidade: Ferramentas para monitorar interações.
Comparativamente, o A2A do Google foca especificamente na troca de mensagens entre IAs. A propósito, os dois projetos são compatíveis entre si.
Um terreno neutro
A Linux Foundation já abriga projetos como Kubernetes e PyTorch. Agora, com AGNTCY e A2A sob seu guarda-chuva, ela se consolida como uma espécie de “ONU da tecnologia”, onde até concorrentes como Google e Cisco podem colaborar.
Vijoy Pandey, da Cisco, resumiu:
“A infraestrutura para a Internet de Agentes deve ser da comunidade, não controlada por um único fornecedor.”
Se esses projetos decolarem, poderemos ver mais assistentes virtuais de diferentes empresas trabalhando juntos, menos “lock-in” tecnológico e, possivelmente, inovação mais rápida, pois desenvolvedores poderão focar em criar funcionalidades em vez de resolver incompatibilidades.
Enquanto humanos ainda discutem inutilmente sem definir seus termos, as IAs estão aprendendo a colaborar.
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