O universo da computação retro está prestes a viver um momento histórico. A lendária Commodore, marca que definiu uma geração inteira de entusiastas de tecnologia, está oficialmente de volta com o Commodore 64 Ultimate: uma releitura que combina fidelidade histórica com inovações técnicas dignas do século XXI.

O renascimento de uma lenda

Após décadas de altos e baixos, incluindo uma série de produtos questionáveis que pouco honravam o legado original, a Commodore finalmente está em mãos capazes. A recém-formada Commodore International Corporation reuniu alguns dos nomes mais importantes da era de ouro da marca, como Albert Charpentier (considerado o “pai do C64”) e Bil Herd, além de entusiastas modernos como os produtores de conteúdo e entusiastas Christian Simpson e Sean Donohue.

Este time de peso adotou um lema que define sua missão: “Honrar o passado, inovar o futuro”. O novo Commodore 64 Ultimate é uma máquina projetada tanto para os saudosistas quanto para uma nova geração de usuários.

O coração do novo Commodore

Diferente de soluções baseadas em emulação por software, o Commodore 64 Ultimate utiliza a tecnologia FPGA (Field-Programmable Gate Array) para recriar digitalmente o hardware original do C64. Essa abordagem garante a melhor compatibilidade possível com software antigo, enquanto abre portas para funcionalidades impensáveis nos anos 80.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 1
Imagem: Commodore

No núcleo do sistema, um FPGA programável emula todos os componentes originais – da CPU MOS 6510 ao famoso chip de som SID, com precisão de ciclo. O clock pode ser ajustado entre o tradicional 1 MHz, para autenticidade absoluta, e um modo turbo de 48 MHz, que proporciona desempenho significativamente melhor, além de abrir espaço para a criação de aplicações modernas.

A memória também foi radicalmente expandida. Além dos icônicos 64 KB originais, a máquina oferece modos com até 16 MB de RAM, possibilitando o desenvolvimento de novos jogos e demos que seriam impossíveis no hardware vintage. Para completar, o sistema de áudio foi enriquecido com suporte a dois chips SID (virtuais ou físicos), permitindo efeitos estereofônicos e uma fidelidade sonora superior à do computador original.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 4
Imagem: Commodore

O passado encontra o presente

Um dos grandes desafios ao reviver um computador clássico é equilibrar autenticidade com conveniência moderna. A Commodore parece ter acertado nesse aspecto, mantendo todas as portas originais enquanto adiciona interfaces contemporâneas.

As saídas de vídeo incluem tanto o tradicional conector RF para quem quiser usar um televisor CRT quanto HDMI digital com vários filtros de imagem que simulam o característico visual dos monitores antigos. A conectividade foi modernizada através de portas USB, incluindo um pendrive especial que imita um cassete datasette, além do Wi-Fi integrado para transferência sem fio de jogos e aplicações.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 3
Imagem: Commodore

Importante destacar que todas as conexões originais foram mantidas: porta de usuário, barramento serial (para drives 1541) e o slot de cartuchos funcionam exatamente como nos anos 80, garantindo compatibilidade total com o vasto ecossistema de acessórios e expansões que tornaram o C64 tão versátil.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 7
Imagem: Commodore

Design e customização

O aspecto visual do Commodore 64 Ultimate é uma lição de como respeitar o DNA original enquanto incorpora melhorias sensíveis. O modelo BASIC Beige mantém fielmente a estética clássica, com seu gabinete bege e teclado marrom, mas esconde um interior completamente redesenhado.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 6
Imagem: Commodore

Já a edição Starlight Edition aposta em um visual mais ousado, com gabinete translúcido que revela os componentes internos e iluminação RGB sincronizada com o áudio. O teclado, agora mecânico, utiliza switches modernos sob keycaps que recriam perfeitamente a sensação das teclas originais, só que muito mais duráveis.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 2
Imagem: Commodore

Para os colecionadores mais exigentes, a Founders Edition oferece um pacote de luxo que inclui detalhes banhados a ouro 24k, um gabinete âmbar exclusivo e até um certificado de ação simbólico. Limitada a apenas 6.400 unidades, esta versão é claramente destinada a quem vê o C64 não apenas como um computador, mas como uma peça de colecionador.

Commodore 64 Ultimate: o retorno triunfal do computador dos anos 80 5

A volta da Commodore ao mercado não se resume a um único produto. A empresa já anunciou parcerias com fabricantes como a PCBWay e deixou claro que tem planos ambiciosos. Rumores sugerem desde um sucessor espiritual do Amiga até periféricos modernos com design retrô.

O mais interessante, porém, é o potencial criativo que o Commodore 64 Ultimate oferece. A combinação de hardware FPGA programável com memória expandida cria uma plataforma ideal para desenvolvedores criarem novos jogos e aplicações que mantêm o espírito dos anos 80 enquanto aproveitam recursos impossíveis na época.

O Commodore 64 Ultimate claramente não é um computador para todos. Seu público-alvo são:

  • Colecionadores e entusiastas de retrocomputação, que encontrarão aqui a versão definitiva de uma lenda;
  • Desenvolvedores indie interessados em criar para uma plataforma com personalidade única;
  • Educadores que querem ensinar os fundamentos da computação de uma forma tangível e histórica.

Com preços que variam de R$ 1.667,94 a R$ 2.779,94 (sem considerar os impostos) e entregas previstas para outubro/novembro de 2025, o Commodore 64 Ultimate promete ser a materialização de um legado que continua a inspirar novas gerações de criadores e entusiastas de tecnologia.

Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: assine nossa newsletter!