A adaptação do livro Feios, de Scott Westerfeld, já está disponível na Netflix e traz mudanças importantes em relação à obra original. Dirigido por McG, o filme adapta o primeiro livro da série, lançada em 2003, que aborda uma sociedade futurista onde adolescentes são submetidos a uma cirurgia obrigatória para se tornarem “Perfeitos” aos 16 anos.

A história acompanha Tally Youngblood, interpretada por Joey King, que inicialmente anseia por sua transformação, mas acaba envolvida em uma trama de rebeldia e autodescoberta.

Adaptação de Feios

Em entrevista ao Deadline, o autor do livro reconheceu que a tecnologia mudou o significado da história desde a sua publicação: “Quando escrevi o livro no início dos anos 2000, falava principalmente sobre cirurgia plástica real. Hoje, a maioria das mudanças na aparência das pessoas são digitais, com filtros e edições”.


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Ele também mencionou como isso transformou o conceito dos ‘Perfeitos’. “É muito menos literal e muito mais como se todos nós tivéssemos essa magia para mudar nossa aparência todos os dias. Há algo realmente interessante sobre como a tecnologia tornou o livro mais incisivo e interessante”, disse Westerfeld.

Joey King e Laverne Cox em cena do filme Feios (Imagem: Divulgação/Netflix)
Joey King e Laverne Cox em cena do filme Feios (Imagem: Divulgação/Netflix)

O diretor McG vê o filme como uma crítica ao uso excessivo de filtros e edições digitais. “As pessoas estão obcecadas em alcançar um ideal de beleza inatingível. Com as redes sociais, mostramos ao mundo algo que não somos”, afirmou o cineasta.

Ele também destacou a relevância do filme para os tempos atuais. “Eu queria que este filme fosse relevante para 2024 e além”. Segundo o diretor, a influência das redes sociais sobre os jovens mudou muito desde o boom de histórias distópicas como Jogos Vorazes e Divergente.

Mudanças na adaptação

Atenção! Os trechos a seguir contêm spoilers da trama de Feios.

O diretor McG também abordou as mudanças feitas na adaptação. Uma das principais mudanças em relação ao livro original envolve o personagem Peris, amigo de infância de Tally, interpretado por Chase Stokes.

No livro, Peris passa pela cirurgia e se torna um “Perfeito” comum. No filme, no entanto, ele recebe uma proposta para se tornar um “Especial”, com habilidades sobre-humanas para caçar rebeldes.

“Peris, nos livros, acaba se tornando um personagem menos relevante. No filme, quisemos dar a ele um arco mais impactante, com uma traição ativa a Tally”, explicou Westerfeld.

McG comparou a dinâmica entre Tally e Peris com a relação entre Darth Vader e Luke Skywalker em Star Wars. “O sistema tenta mudá-lo, mas o amor dele por Tally é tão forte que transcende a cirurgia”, comentou o diretor.

Chase Stokes como Peris em Feios (Imagem: Divulgação/Netflix)
Chase Stokes como Peris em Feios (Imagem: Divulgação/Netflix)

A cena final também deixa em aberto o destino de Peris, sugerindo a possibilidade de uma continuação. “Não vou dizer que ele morreu. Quero que os espectadores se perguntem: ele está vivo? Ele é bom ou mau?”, disse McG.

O diretor espera que o público demonstre interesse por uma continuação da história. “Obviamente, é uma série de livros e a história continua, mas precisamos ter a recepção do público para seguir com a adaptação, porque é difícil fazer filmes, e eles são caros”, afirmou.

O autor Scott Westerfeld, que faz uma participação especial no filme, também refletiu sobre a relevância de distopias para os jovens. “Adolescentes sempre estarão interessados em histórias de controle, porque vivem sob muitas regras. Distopias continuam a ser um gênero atraente para essa faixa etária”.

Feios já está disponível para streaming na Netflix.

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